Prefeito se antecipa aos problemas, mas não os explica para a sociedade. O resultado disso é a sedimentação de uma imagem de que ele não sabe o que está fazendo ou que sabe, mas mesmo assim prefere ser teimoso e fazer do seu jeito

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O prefeito Crespo, entre os secretários Maurício Campanatti (Habitação) e Eloy Oliveira (Comunicação), ajuda a carregar mudança de morador do Residencial Carandá

O Ministério das Cidades (comandado pelo deputado federal tucano Bruno Araújo, amigo do ex-prefeito Pannunzio, hoje chefe do escritório do governo de São Paulo em Brasília) divulgou no sábado passado ao jornal Cruzeiro do Sul Nota Oficial dando conta que o residencial Jardim Carandá, em Sorocaba, que recebeu os primeiros moradores sábado passado (25), foi entregue pela Prefeitura de Sorocaba “à revelia do governo federal” e que serão tomadas “todas as medidas cabíveis para apurar eventuais irregularidades administrativas, civis e criminais na entrega parcial do Carandá”.

Esse fato em si é um escândalo, mas quando se ouve o que o prefeito tem a dizer a respeito a conclusão que se chega é que isso pode ser apenas um equívoco.

Afinal, segundo a secretária de Comunicação da Prefeitura, o prefeito Crespo recebeu na sexta-feira à noite (24) a confirmação de que poderia ser feita a entrega. “Essa informação foi transmitida ao prefeito pelo Banco do Brasil, que é o agente financeiro responsável pela liberação. O banco informou também à Construtora Direcional. O Banco do Brasil liberou apenas dez dos 16 condomínios do residencial. Estes haviam passado por vistoria final. A construtora adiantou que outros dois condomínios também estavam prontos, faltando só a vistoria final dos engenheiros do banco”, citou

Ainda de com a Prefeitura, o prefeito José Crespo ingressou na Justiça no sábado pela manhã para obter liminar liberando os dois condomínios, o que teria sido concedido pela juíza de plantão, Gláucia Cyrillo Pereira, concedeu a liminar. Com isso, foram  liberados para a entrega 12 condomínios do total. O restante, a Prefeitura informa que  ficou acertado com a construtora que será entregue até o dia 31 de março, dentro ainda do cronograma definido pelo prefeito em fevereiro deste ano após reunião no Ministério das Cidades. Esses condomínios passarão por nova vistoria antes da entrega.

O prefeito afirma que nota que essas informações não chegaram ao ministro das Cidades, Bruno Araújo, e isto o levou à manifestação divulgada em nota do ministério, mas diz que não há nenhuma irregularidade nas entregas feitas e nem nas que ainda serão ao longo da semana. “Todos os apartamentos entregues no Carandá oferecem segurança aos beneficiários, como quer o ministério e a Prefeitura e estabelece o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado com o Ministério Público, e nós vamos esclarecer o mal-entendido”, disse o prefeito.

Ou seja, tendo todas essas informações, tivesse o prefeito dito isso e a nota do Ministério das Cidades não teria sido compreendida como um grande escândalo sendo a manchete dos portais Ipanema e Cruzeiro, com recordes de acesso ao longo desta segunda-feira.

Cargos sem curso superior

Na votação do projeto da Reforma Administrativa, e mesmo o do projeto isolado da reforma, no que diz respeito a criação dos cargos para funcionários sem diploma da curso superior (o prefeito foi derrotado nas duas vezes) o prefeito sabia qual seria o resultado. Ele sabia que ia perder, mas mesmo assim insistiu. Entendeu que ao fazer isso ficaria claro que a sua intenção era criar, mas que a não criação dos cargos é problema dos vereadores. Conseguiu isso? Não, obviamente que não, simplesmente porque quem tem a caneta de prefeito é sempre o lado forte de qualquer relação. E quem tem a caneta deve, sempre ganhar. É como num jogo entre o Corinthians e qualquer time que não faça do jogo um chamado clássico: a obrigação é sempre do Corinthians ganhar. A obrigação é sempre do prefeito ganhar.

O fato é que Crespo se antecipa aos problemas, mas não os explica para a sociedade e o resultado disso é a sedimentação de uma imagem de que ele não sabe o que está fazendo (quando o Ministério das Cidades assim se expressa) ou que sabe, mas mesmo assim prefere ser teimoso e fazer do seu jeito (quando encaminha um projeto que será rejeitado pelos vereadores).