Presidente da Câmara escolheu seu lado, ser prefeito, e não salvar Crespo

O recurso da defesa do prefeito Crespo para que fosse suspensa a votação que instituiu a Comissão Processante que investiga possível infração político-administrativa do chefe do Executivo foi arquivado na sessão ordinária da Câmara na terça-feira, 4 de maio. Foi por unanimidade: 19 vereadores acataram o parecer da Comissão de Justiça e votaram pelo arquivamento do recurso formulado pelo advogado Marcio Leme, que representa o prefeito. O vigésio voto seria de Dini, que não vota em casos como esse.

A primeira interpretação, de quem leu essa notícia nos sites, jornais, rádio, TV, é de que a Câmara está fechada em torno de um propósito, o do que chamo aqui, frequentemente, de “espírito de corpo” dos vereadores.

Mas, entendo, há uma interpretação anterior a essa.

Vejam a sequência dos fatos: 1) A defesa do prefeito havia solicitado a suspensão da votação da Comissão Processante; 2) o presidente da Casa, recorreu à Mesa Diretora, que, por sua vez, submeteu o pedido ao parecer da Comissão de Justiça; 3) Essa referida comissão solicitou o parecer da Secretaria Jurídica, que recomendou que o caso fosse submetido ao plenário da Casa, por não se tratar de assunto de ordem administrativa interna.

Atentaram à nomenclatura: …a Secretaria Jurídica recomendou que… Ou seja, fica evidente que o presidente da Câmara, Fernando Dini, pelo que lhe outorga a lei, poderia ter agido de acordo com a sua própria vontade, ou seja, sem fazer o que lhe foi recomendado. Essa vontade poderia ter sido acatar o pedido feito pelo advogado do prefeito, salvando, precocemente, Crespo do processo em curso que pode lhe tirar o mandato. Há elementos jurídicos substanciosos na peça apresentada pelo advogado de defesa. Mas Dini preferiu agir no chamado “espírito de corpo”, fugindo do protagonismo que tal decisão teria.

A atitude de Dini está sendo interpretada como ele já tendo escolhido um lado neste imbróglio, o dele, o de ser prefeito cassando, e não salvando, Crespo. Para algumas pessoas, que vivem e convivem nos bastidores políticos, incluindo vereadores, essa atitude de Dini chega a surpreender uma vez que ele foi um dos raros vereadores, no primeiro processo de cassação de Crespo, em 2017, a ficar do lado do prefeito. Ele sofreu em plenário tentando defender Crespo. Chegou, essa é minha interpretação, a ser hostilizado por alguns colegas em razão de estar do lado do prefeito e, agora, mudou.

Mas essa foi apenas uma primeira batalha. Ainda virão outras e, então, se necessário, o embate final, ou seja, a sessão de cassação ou não do prefeito. Para ficar, Crespo vai precisar de 7 vereadores do seu lado. Pela unanimidade da rejeição do seu pedido, há quem veja que Crespo não tem nenhum.

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