Presidente do sindicato dos servidores rebate prefeito, afirma que há dinheiro e lei para reajuste da categoria e desafia o chefe do executivo para debate na Ipanema

SalatielSSPMSO presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Sorocaba, Salatiel Hergesel, gravou um áudio exclusivo para a coluna O Deda Questão que foi ao ar na edição desta quarta-feira (02/08), no Jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema 91,1 FM rebatendo ponto a ponto as colocações feitas pelo prefeito Crespo no dia anterior, também em entrevista na coluna O Deda Questão no Jornal Ipanema. O prefeito voltou a dizer que a folha de pagamento dos funcionários consome 50% do orçamento municipal e que o sindicato não quis negociar em outubro e ele só vai falar de reajuste em janeiro de 2018. Salatiel rechaça essas afirmações e desafiou o prefeito a debater com ele sobre esses dados ao vivo na rádio Ipanema.

O presidente do sindicato afirma que há sim como a prefeitura conceder o reajuste aos servidores e para comprovar o que fala, ele solicitou documento ao Tribunal de Contas, para mostrar a atual situação financeira da administração pública. Salatiel diz que 43% da arrecadação de Sorocaba é utilizada para o pagamento do funcionalismo. O reivindicado pelos trabalhadores seria de 3%, ou seja, o percentual subiria para 46%. “O servidor fala em R$ 60 milhões. Se a gente pensar que se gasta em Sorocaba R$ 18 milhões para pagar apenas 80 cargos comissionados, 60 milhões para 10 mil servidores, é contraditório. A realidade é essa. Existe dinheiro. O orçamento da Prefeitura é de R$ 2,2 bilhões e a folha custa R$ 943 milhões”, afirmou.

Salatiel esclarece que o limite percentual para o pagamento do funcionalismo é de 48% (alerta), 51% (prudencial) e 54% (teto máximo) e mesmo assim estará dentro da lei. “A intenção do sindicato não é nem chegar no limite de alerta com as contas públicas”, afirma. O presidente ainda defende os 10  mil servidores e diz que eles “fazem esse município andar”.

Por fim, o presidente do sindicato rebate a afirmação do prefeito de que o sindicato não quis mudar a data do dissídio para outubro e encerrou as negociações. Ele lembra que o sindicato esteve na plenária da prefeitura no sábado e o secretário de Recursos Humanos, Marinho Marte, com o consentimento do prefeito, se comprometeu a retomar as conversar neste mês de agosto e ironiza dizendo que o prefeito deve ter se esquecido disso, apesar de ter dito há 3 dias.

O que disse Crespo

Na entrevista nesta coluna no Jornal da Ipanema o prefeito afirmou que não haverá mais negociação salarial com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais neste ano, mas “somente em janeiro de 2018. A data vigente era o mês de maio; não sei o porquê alguém propôs e mudou a lei municipal. A data-base de dissídio [dos servidores] é em janeiro, mas continua sendo o pior mês do ano”, ressaltou Crespo.

Conforme o chefe do Executivo, a arrecadação municipal “começa mesmo em março”. “É um bom mês de arrecadação: IPTU, por exemplo, vence neste mês. Em janeiro de qualquer ano a Prefeitura não tem uma visão adequada para fazer uma proposta salarial para a sua categoria. Nossa proposta foi deixar para discutir [o reajuste salarial] no segundo semestre, entre setembro e outubro, mas eles [o sindicato] não concordaram. Nós respeitamos… Isso, naturalmente, levou a próxima negociação do dissídio para janeiro [de 2018]”, destacou Crespo.

O democrata disse, ainda, que “não há nenhuma conversa acontecendo agora, em razão da recusa [de acordo do sindicato]”.

FOTO: Presidente do SSPMS, Salatiel Hergezel, deu depoimento exclusivo ao Jornal Ipanema rebatendo fala do prefeito dita, também na rádio Ipanema