Prestígio do padre Flávio no comando da Santa Casa de Sorocaba torna a Igreja Católica favorita da Prefeitura para assumir o comando das UPHs e PAs que estão em processo de terceirização dos serviços médicos e laboratoriais

PadreFlavioSantaCasaO presidente do Conselho de Administração da Irmandade da Santa Casa de Sorocaba, padre Flávio Miguel Júnior, conseguiu em um mês, desde que assumiu o comando da Santa Casa, devolver a credibilidade ao gerenciamento da instituição que desde 2013 enfrentou problemas.

Essa realidade faz dele, e da Igreja Católica, os preferidos da Prefeitura de Sorocaba para assumirem os serviços médicos e de laboratório que estão em estudo para serem terceirizados nas áreas de urgências e emergências e que hoje são feitos por funcionários públicos. Não há nada de oficial neste sentido, mas nos bastidores se ouve que uma conversa nesse sentido já foi realizada entre o secretário da Saúde, Ademir Watanabe, e o padre Flávio. A saída provável será a constituição de uma cooperativa de médicos para prestar esse serviço no setor público. Vale lembrar que o Arcebispo Metropolitano de Sorocaba, dom Julio Endi Akamine, é o moderador da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba, ou seja, o que acontece no gerenciamento da Santa Casa é de total responsabilidade da instituição Igreja Católica.

Credibilidade

Primeiramente o então prefeito Pannunzio requisitou a Santa Casa e denunciou os então gestores à polícia que abriu pelo menos seis inquéritos contra o ex-provedor José Antônio Fasiaben que chegou a ser preso e hoje responde em liberdade pelas acusações de desvio de mais de R$ 50 milhões do hospital.

Em seguida, o prefeito Crespo requisitou a Santa Casa em abril deste ano e Jaqueline Coutinho, nos 42 dias em que esteve como prefeita da cidade, devolveu a Santa Casa para a gestão da irmandade que tem na Igreja Católica a parceira. Ao pegar a entidade, a gestão sob o comando do padre Flávio, também denunciou e a polícia acompanha uma incompatibilidade de mais de R$ 10 milhões nas contas.

Com a gestão do padre Flávio, a Santa Casa negociou novos prazos das dívidas da entidade com os bancos e passou a acertar questões pontuais do hospital que funciona pelo SUS (Sistema Único de Saúde). As reclamações dos pacientes, de mau atendimento, ainda existem, mas diminuíram substancialmente.

Entre as conquistas do padre Flávio está a volta dos exames de mamografia, um serviço que havia deixado de ser prestado há quase três anos na Santa Casa.

Terceirização

Em postagens anteriores neste blog, e na coluna no Jornal Ipanema (FM 91,1Mhz), trouxe em primeira mão no início do mês que está avançado o estudo para a terceirização dos serviços de urgência e emergência da prefeitura, ou seja, as UPHs (Unidades Pré-Hospitalares) da Zona Norte e Zona Oeste e os PAs (Pronto Atendimentos) como dos bairros Laranjeiras e São Guilherme. Expliquei que o Sindicato dos Médicos é contra a medida em razão do quanto ela desvaloriza o médico em relação ao serviço público e o sobrecarrega na terceirização que, em alguns casos, se torna quarteirização, e que há um TAC (termo de Ajustamento de Conduta) feito entre prefeitura e Ministério Público para que isso não prosseguisse.

Câmara apoia

Fausto Peres, vereador na Câmara de Sorocaba, em entrevista na terça-feira no Jornal Ipanema (FM 91,1Mhz), disse que o importante é a melhora no atendimento público e deu o exemplo da própria Santa Casa e UPH da Zona Leste como casos de sucesso e que o sentimento dele, na Câmara, é de que haverá apoio caso seja de fato terceirizada a saúde em Sorocaba.