Primeira prisão em Sorocaba da Operação Lava-Jato desperta curiosidade entre as pessoas que só viam pela TV as personagens investigadas e acusadas

BendineTVTEMA TV Tem Sorocaba acompanhou com exclusividade o momento da chegada e saída dos carros da Polícia Federal do Paraná, às 5h45, na casa de Bendine no condomínio Sunset em Sorocaba

No dia 9 fevereiro de 2015, quando Aldemir Bendine foi escolhido pela então presidente Dilma Rousseff para substituir Graça Foster na presidência da Petrobras, fui o primeiro jornalista de Sorocaba a anunciar sua relação com Sorocaba. Falei na coluna O Deda Questão no Jornal Ipanema (FM 91.1Mhz) e aqui neste blog (http://odedaquestao.com.br/entenda-a-relacao-do-presidente-da-petrobras-com-sorocaba-uma-de-suas-filhas-estuda-medicina-na-puc-e-a-outra-que-aparece-na-foto-se-formou-em-direito-na-uniso/). Ainda em 2015, em novembro, voltei da falar de Bendine quando ele foi jantar no restaurante Dinastia, especializado em comida portuguesa, e chamou a atenção de algumas pessoas que o reconheceram (http://odedaquestao.com.br/presidente-da-petrobras-reune-a-familia-em-jantar-em-restaurante-de-sorocaba-e-desperta-a-curiosidade-de-clientes/).

Surpresa e curiosidade

Como acontece em ocasiões como essa, a prisão de Bendine em sua casa no Residencial Sunset, condomínio de casas de alto padrão, surpreendeu alguns de seus vizinhos que nem ideia faziam que ele já havia presidido o Banco do Brasil e a Petrobras. Como é comum em condomínios com centenas de moradias como esse, a maioria nem se conhece.  Além do mais, Dida, como Bendine é chamado pelos amigos, em especial os do Banco do Brasil onde fez carreira como funcionário concursado, era das pessoas mais discretas que possa se imaginar.

Sua esposa e filhas é quem mantém uma relação com a cidade e vão a padaria, academia, shoppings. Ele passava a maior parte do tempo em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, mesmo após ter deixado o comando da Petrobrás a mais de um ano. Embora tenha feito carreira no comando do Banco do Brasil e da Petrobras ao ser nomeado pelos ex-presidente Lula e Dilma, Bendine não é militante do PT e nenhum petista sorocabano (talvez haja ao menos uma exceção) faz parte do seu círculo de amizade pessoal.

Não iria fugir

O advogado Pierpaolo Bottini, que faz a defesa de Bendine, rebateu as informações dadas nesta quinta-feira (27/07) pelo MPF (Ministério Público Federal) de que o empresário embarcaria para Portugal amanhã apenas com uma passagem de ida. O procurador Athayde Ribeiro Costa afirmou que a investigação havia detectado apenas um bilhete de ida para a Europa em nome do ex-presidente da Petrobras. “Bendine tem nacionalidade italiana e os operadores possuem negócios consolidados em Portugal. É concreto o risco à ordem pública. Bendine tinha passagem para Portugal marcada para amanhã e as informações dão conta de que André Gustavo também tinha passagem marcada para a data de hoje”, contou.

 

O advogado Pierpaolo Bottini enviou à reportagem do UOL duas imagens que seriam de comprovantes da passagem de volta de Bendine, programada para o dia 19 de agosto, em um voo direto de Lisboa ao aeroporto de Viracopos, em Campinas. Bendine viajaria nesta sexta-feira (28/07) com mais três familiares. “O documento mostra claramente que havia passagem de volta, de forma que não existem motivos para suspeita de fuga ou evasão”, afirmou Bottini.

Ele se ofereceu a depor antes da prisão

Bottini, segundo o portal UOL, já havia afirmado, logo após a prisão de Bendine, que a detenção temporária do seu cliente era “desnecessária”. “Desde o início das investigações, Bendine se colocou à disposição para esclarecer os fatos e juntou seus dados fiscais e bancários ao inquérito, demonstrando a regularidade de suas atividades. A cautelar é desnecessária. É arbitrário prender para depoimento alguém que manifestou sua disposição de colaborar com a Justiça desde o início”, afirmou Bottini ao UOL.

As acusações

O texto a seguir é do Portal UOL e explica em que Bendine está envolvido.

As investigações da PF apontam que Bendine e pessoas ligadas a ele teriam solicitado vantagem indevida, em razão dos cargos exercidos, para que a Odebrecht não viesse a ser prejudicada em futuras contratações da Petrobras. Em troca, o grupo empresarial teria efetuado o pagamento de ao menos R$ 3 milhões, em espécie. Ainda de acordo com a PF, os pagamentos só foram interrompidos depois da prisão de Marcelo Odebrecht, em junho de 2015.

Bendine esteve à frente do Banco do Brasil entre abril de 2009 e fevereiro de 2015, quando deixou o banco para assumir a presidência da Petrobras. O executivo renunciou ao cargo de presidente-executivo da Petrobras em carta enviada ao Conselho de Administração em maio de 2016.

Segundo o MPF-PR (Ministério Público Federal), há evidências indicando que um pedido de propina no valor de R$ 17 milhões foi feito por Aldemir Bendine na época em que era presidente do Banco do Brasil para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht AgroIndustrial. Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, executivos da Odebrecht que celebraram acordo de colaboração premiada com o Ministério Público, teriam negado o pedido de propina porque enderam que Bendine não tinha capacidade de influenciar o financiamento.

Além disso, há provas apontando que, na véspera de assumir a presidência da Petrobras, Bendine voltou a solicitar propina a executivos da Odebrecht para que a empresa não fosse prejudicada em contratos com a petroleira. Delatores indicam que, desta vez, a Odebrecht aceitou pagar a propina de R$ 3 milhões. O valor foi repassado em três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada uma, em São Paulo. Esses pagamentos foram realizados em 2015.

 

Citações a Bendine Em janeiro, o jornal “Estado de S. Paulo” revelou que a PGR viu indícios de que Bendine tenha participado de suposto esquema ilícito de compra de debêntures (títulos da dívida) da OAS quando comandava o Banco do Brasil. A empreiteira é suspeita de pagar vantagens indevidas a políticos, entre eles o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em troca de destravar investimentos de fundos de pensão e bancos em papéis da construtora.

As citações a Bendine aparecem em trocas de mensagens entre o ex-executivo da OAS Léo Pinheiro com Cunha e outros dirigentes da empresa entre 2012 e 2014. Bendine teria negociado com a OAS, em outubro de 2014, a aquisição de debêntures de R$ 500 milhões.

Em fevereiro de 2015, Bendine foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff para substituir Graça Foster na presidência da Petrobras.  Condenado por corrupção e lavagem dinheiro pelo juiz federal Sergio Moro em dois processos da Lava Jato, que tramitam na 13ª Vara Federal de Curitiba, Cerveró firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

Após também firmar acordo de delação premiada, o senador Delcídio do Amaral pediu desligamento do PT e enfrenta o processo de cassação de seu mandato no Conselho de Ética do Senado.