Professor chama a minha atenção ao fato de eu tratar como normal que políticos dividam espaço em uma missão. E ele tem absoluta razão: não deveria ser normal essa mistura de religião e representação do Estado

Em nota publicada neste blog, falei sobre o clima de constrangimento envolvendo o prefeito Crespo e o deputado federal Vitor Lippi no momento em que conjuntamente badalaram o sino da paz na missa campal da paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro Campolim, na noite de domingo passado, em homenagem às mães.

A verdade é que a notícia, primeira, está além desse constrangimento: está no fato de dois políticos estarem ocupando espaço religioso para se autopromoverem. E quem me chama a atenção para isso é o professor João Negrão, atual docente no Ceunsp de Itu e por anos professor na Universidade de Sorocaba onde divide com ele essa condição na turma de jornalismo. Doutor em Ciências Políticas, João Negrão me fala: “Caro, você trata como ‘normal’ lideranças políticas assumindo protagonismo em atividade religiosa. No fundo, qual a diferença disso (da igreja católica) com os pastores/vereadores/deputados? Por isso digo: religiões, melhor não tê-las…”

Tratei mesmo como normal. Embora seja uma prática cada vez mais usual no Brasil, tendo as Câmaras e Assembleias as chamadas Bancada da Bíblia, não se pode deixar de se indignar quando políticos usufruem de espaço destinado a prática da fé e da crença para fazer política.

O pensamento religioso, por ser de convicção pessoal não deveria servir como parâmetro para decisões que envolvem o todo de uma sociedade, ou seja, os representantes do cidadão no Estado e Governo. O critério do voto deveria, entendo, ser desvinculado da crença, religião ou da prática de ser ateu e agnóstico. As decisões políticas não podem depender de qualquer fé e o exercício da cidadania englobar o que é ser humano independentemente de sua crença, raça, ideologia, prática sexual e etc…