Quando se trata de Bolsonaro tenho lado sim, o oposto ao dele. Não aceito que me cobrem imparcialidade

Mariel Lopes, funcionária de um banco em Sorocaba, leitora deste blog, escreveu a seguinte mensagem na postagem que fiz sobre o ato pró-Bolsonaro de Sorocaba: “Deda, minha opinião é que você não vem sendo imparcial (como jornalista), ficou e está claro que você não gosta do Bolsonaro, isso ficou muito evidente no dia que o Davi esteve na rádio e agora também na forma como você citou o pré candidato à presidência aqui…não estou defendendo o Bolsonaro, mas sim o fato de sua imparcialidade, o que não vem acontecendo…agora, como o blog é seu, só deveria informar que você defende uma opinião ou partido, aí retiro tudo o que disse…”

Diante disso me senti obrigado a me manifestar hoje na coluna O Deda Questão no Jornal da Ipanema (FM 91,1Mhz) e também aqui: Não sou imparcial em minhas opiniões. Ao contrário, tenho lado. Muitas vezes o que penso não importa pois meu objetivo é oferecer ao meu público elementos para que ele chegue à sua própria conclusão sobre o tema que abordo e ai não externo minha opinião sobre o tema. Mas há temas, como um ato pró-Bolsonaro, onde não posso me furtar de dizer o que penso de maneira clara e direta: sou contra. Se Bolsonaro está de um lado, eu estou de outro.

As razões são variadas.

Primeiramente pela maneira como ele vê a vida em sociedade e reúno a seguir apenas algumas de sua manifestações recentes: “se pegasse seu filho fumando maconha, o torturava”. “Não há risco de eu ter um filho gay, isso nem passa pela minha cabeça, eu dei uma boa educação, fui pai presente, não corro este risco”. “Eu não entraria em um avião pilotado por um cotista nem aceitaria ser operado por um médico cotista”. Em resposta a cantora Preta Gil, filha do ex-ministro e músico Gilberto Gil, que perguntou o que ele faria se o filho se apaixonasse por uma negra, ele respondeu: “Ô Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu”.

O fato dele ter homenageado o torturador Ustra (poderia ser qualquer torturador) é outra razão mais que suficiente.

Mas é o fato dele se portar como um salvador da Pátria e fazer uma leva de gente, incluindo sorocabanos, a pensarem que isso é razoável num ambiente público que me incomoda muito. Ele desvirtua qualquer processo de formação política. Faz incautos acreditarem que uma sociedade pode ser gerida e administrada por um, ou seja, desconstrói o coletivo. Enquanto não houver o fortalecimento de ideologias e a política for um instrumento de satisfação pessoal (que é o que Bolsonaro faz com seu comportamento) seguirei em minha luta. E ai vai um recado a Adão Rocha, funcionário de uma empresa particular de prestação de serviços, também leitor deste blog, que usa a régua da audiência (número de curtidas) para medir o que faço (o que é pouco na visão dele): eu diálogo com consciências. Mesmo que tivesse um leitor/ouvinte/telespectador valeria a pena minha abnegação diária.