Resolver o problema individual apenas o mantém permanentemente

Fernanda B.Gerety, mãe da Manu, que vi nascer e crescer na redação do jornal BOM DIA, casada com o meu amigo Mayco, gerente de marketing da Exata Ótica, corredora, crente em Deus, pessoa do bem, posso garantir isso, escreveu um depoimento na tarde de hoje em sua página de Facebook – que reproduzo a seguir – a respeito de uma cena que ela acabava de presenciar numa rua de Sorocaba.

Fernanda, na clareza de seu texto, evidencia o quanto atitudes como a que ela presenciou são memoráveis e renovam a fé na vida. As pessoas que comentaram, igualmente, viram na cena uma atitude de bem.

Mas eu não. Não consigo ver em atitudes como a narrada por Fernanda esse lado positivo e enaltecido por ela e seus leitores. E vou explicar logo após o texto dela.

Bom samaritano

Por Fernanda BGerety

Acabo de presenciar algo memorável!

Um possível morador de rua, desacordado na calçada, nesse calor ameno de 34°… Sol por cima, asfalto quente por baixo… E um jovem, puxando ele pelo braço, tentando levanta-lo. Como não conseguiu, o pegou no colo. Como fazemos com bebezinho quando está dormindo, sabe? E estava levando ele pra algum lugar, certamente que pudesse não morrer desidratado, cozido ou sei la o que.

O semáforo abriu e não pude ver mais… Mas o que vi, certamente me fez refletir e existe sim amor e compaixão no mundo.

Eu pedi muito a Deus pela vida desse jovem, que se propôs a ajudar o cara naquela condução, sem julgar, sem ter nojo de seu estado de higiene e tantas outras coisas… Pensei também, que eu não teria feito aquilo. Não sei nem se teria a inciativa de chamar alguém pra tirar aquele homem daquela condição.

Benditos sejam os testemunhos sem palavras que vemos todos os dias.

Comentários:

Eduardo Augusto Leal Pinese: Você presenciou a parábola do bom samaritano.

Roseana L. Fonseca: Bendito seja, Vamos acreditar no amor ao próximo.

Mirian Ramos Gimenez: Ainda existe pessoa que tem amor ao próximo. Que atitude linda desse jovem!!! Diante de tantas coisas ruins que temos visto, dá uma alegria apenas imaginar a atitude desse jovem, Fernanda!

Mantendo tudo como está

Ao ler o texto da Fernanda, me lembrei da primeira vez que vi uma pessoa no semáforo que estava com um cartaz onde se lia: “Estou com fome”. Ao meu lado estava minha minha mais nova e ela queria lhe dar dinheiro. Eu disse que não. Minha indignada dizia: por que não? Ele está com fome! E eu lhe respondi: Por que se você der dinheiro a ele, e se for verdade que ele está com fome, ele vai comer. E assim será amanhã e depois e depois. Mas ele não está ali porque deseja, ele foi jogado ali e blá-blá-blá… Eu concordo com a maioria absoluta de todos os argumentos de que as pessoas, cada vez mais, estão sem oportunidades. Foram argumentos usados pela minha filha naquela discussão comigo no semáforo com o rapaz com o cartaz da fome, são argumentos usados por pessoas ideologicamente afinadas por tendências mais à esquerda.

Minha questão não é a que se deve ensinar a pescar e não dar o peixe. Acredito que isso seja um caminho, sem dúvida.

Minha questão é outra: quando se dá dinheiro para a comida (como no caso da minha caçula e meu) ou quando alguém tira um desgraçado que literalmente estava sendo fritado do asfalto quente (como no caso da história da Fernanda) apenas se está resolvendo momentaneamente um problema individual. Porém, permanentemente, faz com que o problema siga existindo. Apenas quando alguém morrer de fome ou frito no asfalto, suponho, é que de fato a sociedade – seus governantes, lideranças, eleitores… – vai se indignar, se envergonhar, se mexer. Enquanto bons samaritanos amenizarem a dor individual, farão com que permaneça a desgraça coletiva.

A ilustração desta postagem é de autoria de Beatriz França e está publicada no Blog Tudo Que Motiva

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