Robôs ou não, militância segue firme na luta para armar o cidadão

Logo após a tragédia ocorrida dentro da Catedral de Campinas, onde um sujeito com esquizofrenia (ouvia vozes e afirmava que estava sendo perseguido), publiquei a postagem “Massacre dentro da Catedral de Campinas é o indicativo de nosso futuro?” Uma indagação sobre nosso tempo atual, onde reforço minha convicção de ser contrário ao armamento da população.

Foi seguramente a postagem que mais repercutiu na semana aqui no blog, alcançando 6.454 pessoas e envolvendo diretamente na postagem outras 1790. Na maioria absoluta das manifestações, militantes bolsonaristas que seguem a lógica do guru deles, o charlatão Olavo de Carvalho, que faz o que prega: xinga ou invés de debater. E como fui xingado!

Pinço, como exemplo, desse xingamento, mas principalmente de firme luta em armar a população brasileira o médico sorocabano Vinícius Rodrigues (1º suplente na Câmara federal) que usa como nome de campanha Dr. Vinícius: “Quanta besteira esquerDeda! Armas não matam, pessoas matam! E uma pessoa de bem armada é exatamente o que detém uma pessoa do mal armada. Guarde seus chororôs e seus argumentos infundados, respeite a opinião do povo brasileiro manifestada no plebiscito do desarmamento e na eleição de 2018: queremos e vamos facilitar o acesso a armas de fogo ao cidadão de bem. Tem que ser muito imbecil para acreditar que uma pessoa disposta a fazer um massacre não está disposta a desrespeitar leis anti armas. E digo mais: em 2019 o chicote vai estralar pro lado dos vagabundos! Grande abraço!”

Vinícius existe, trabalha e não tem a menor vergonha ou pudor em dizer que pensa tudo o que escreveu acima. Mas reportagem publicada hoje na Folha de S. Paulo mostra que “após eleição, perfis falsos e robôs pró-Bolsonaro continuam ativos, aponta estudo”. A matéria mostra que a “atuação de perfis falsos e robôs no Twitter caiu acentuadamente após as eleições, mas ainda há uma quantidade significativa dessas contas agindo com mensagens a favor e contra o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), e seu principal adversário na eleição, Fernando Haddad (PT)”.

O levantamento dos chamados perfis de interferência (usuários da rede social que não são pessoas comuns, são ativistas ou contratados) foi feito pela empresa de análises AP/Exata. O Twitter questiona esse tipo de pesquisa, afirmando que as empresas não têm acesso a todos os dados disponíveis da rede social.

Segundo o estudo, com dados coletados em 145 cidades brasileiras, o número de perfis de interferência mencionando Bolsonaro ou termos relacionados a ele caiu 73% entre a semana anterior ao segundo turno (de 22 a 28/10) e a primeira semana de dezembro (de 2 a 9/12). No caso de Haddad e termos ligados ao PT e à esquerda, a queda foi de 94%.

A redução era esperada, já que passada a eleição há menos atividade de militantes online e agências ou pessoas contratadas para disseminar mensagens políticas.

Bolsonaro lidera

O que chama a atenção, segundo Sergio Denicoli, diretor de Big Data da AP/Exata, é o número significativo de bots, militantes e perfis falsos ainda citando Bolsonaro. Segundo a amostragem, são 2.078 mencionando Bolsonaro e termos relacionados e 382 para Haddad e PT.

O total de postagens dos perfis de interferência caiu de 64.378 para 9.735 no caso de Bolsonaro e de 52.297 para 732 no caso de Haddad.

“O fato de ainda estarem em atividade mostra que provavelmente serão usados durante o governo na tentativa de moldar as narrativas e conseguir apoio para determinados temas”, diz Denicoli. Para o levantamento, a AP/Exata analisou mais de 10 milhões de postagens e 624.827 perfis no Twitter desde maio de 2018.

O Twitter questiona o conceito de perfis de interferência e “lamenta que seja dado crédito a um relatório metodologicamente falho, cujos critérios técnicos não conhece”.

De acordo com o Pegabot, aplicativo elaborado pelo IT&E (Instituto de Tecnologia e Equidade), o perfil tem 75% de chance de ser um robô. Usando o sistema, a reportagem encontrou vários perfis apoiadores de Bolsonaro com índice de probabilidade acima de 70% de serem robôs.

“A construção de consenso coletivo é o propósito maior onde os bots tentam atuar”, afirma Thiago Rondon, codiretor do IT&E. Segundo ele, há tanto empresas de comunicação que cultivam as chamadas fazendas de perfis, usando robôs, como militantes que atuam por conta própria. Hoje, é possível comprar aplicativos e gerenciar contas em massa com facilidade.

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