Secretário de Educação quer impor regra e falta de encontro na Câmara

Com o tema “A Gestão Compartilhada na Educação Pública do Município”, a audiência pública que seria realizada na noite de terça-feira passada, por iniciativa da vereadora Iara Bernardi (PT), no plenário da Câmara Municipal de Sorocaba, foi cancelada, devido à recusa do secretário municipal de Educação, André Gomes, em participar do evento.

Para justificar seu não comparecimento à audiência, o secretário André Gomes gravou um vídeo afirmando que a população precisa de um debate técnico sobre a gestão compartilhada e que as audiências públicas promovidas pela Câmara Municipal “deixaram de ser técnicas e se tornaram cenários de discussão político-partidária”.

Ele disse, ainda, que sua pasta está iniciando um “trabalho de esclarecimento público sobre a gestão compartilhada” e que já foi agendada uma reunião técnica com o Conselho Municipal de Educação na próxima sexta-feira: “Em seguida, faremos uma apresentação técnica para a Comissão de Educação da Câmara e para o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais”, afirmou o secretário.

Antes de expor o projeto de gestão compartilhada ao Legislativo e ao Conselho Municipal de Educação, o secretário André Gomes marcou uma entrevista coletiva para tratar do tema e, na noite de terça-feira, deixou professores, auxiliares de educação, demais servidores e pais de alunos esperando.

Uma coisa é uma coisa. Outra coisa, outra coisa

A frase acima ficou imortalizada em Sorocaba na boca do ex-vereador Francisco Moko Yabiku, que depois de cinco legislaturas resolveu não concorrer mais ao cargo. Ele usava esse jogo de palavras para sintetizar o óbvio que, infelizmente, muitas vezes não é compreendido pelos agentes públicos.

Claramente, me parece, essa lógica se encaixa no comportamento do secretário André Gomes. Obviamente que uma audiência pública é um momento político, pois as ações de governo são políticas e não se encerram na eleição. A audiência pública é o instante do contraditório e das pessoas envolvidas no tema avaliarem o sentimento que nutrem ou vão nutrir pelo agente que conduz o processo do tema discutido.

Não basta uma visão técnica, como pretende o secretário. Essa é outra discussão. Antes é necessário que a visão política, ideológica e de capacidade de expressão tenham sido amplamente discutidas.

O resumo é o seguinte: o secretário de Educação aceitou jogar futebol, mas desde que ele seja praticado com as regras do basquete. O que é impossível.

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