Secretário explica projetos e estratégias para vencer o desafio de atrair usuário ao transporte público de Sorocaba. Em 25 anos a população dobrou, mas ônibus perdem 1 milhão de passageiros

Kuka

Secretário Kuka falou ao vivo na bancada do Jornal Ipanema com Ercolin e Moreto e para mim dentro da coluna O Deda Questão

Wilson Unterkircher Filho, o Kuka, secretário de Mobilidade e Acessibilidade  da Prefeitura de Sorocaba e, simultaneamente, presidente da empresa pública Urbes – responsável pelo Trânsito, Transportes e gerenciamento do Caixa único dos Ônibus da cidade – foi o convidadode hoje da coluna O Deda Questão, no Jornal da Ipanema (FM 91.1Mhz), para explicar o que pensa a atual administração em relação ao transporte público, uma vez que cancelou definitivamente a assinatura do contrato com o consórcio que implementaria o BRT (Sistema de Ônibus Rápido) na cidade.

A criação do BRT se transformou no principal tema (entre propostas, obviamente) da eleição de 2012 e apareceu de maneira periférica na eleição de 2016 onde o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) ganhou força entre os 5 candidatos. Até mesmo o candidato do PSDB, João Leandro, diante do crescimento do tema VLT chegou a colocar em seu plano de governo que iria fazê-lo. Isso gerou reação intempestiva do prefeito na época, Pannunzio, do mesmo partido de João Leandro. Pannunzio sempre foi o defensor do BRT, frisou a inviabilidade do VLT e teve a chance de assinar o contrato entre prefeitura e o consórcio para fazer o BRT no final do seu governo, mesmo sabendo que o seu candidato havia sido derrotado. Ao não assinar, deixou para Crespo essa decisão.

E foi no começo desta semana que o modelo de BRT do governo Pannunzio (que começou a ser planejado por Renato Gianolla, que por 20 anos esteve a frente da Urbes em Sorocaba, no governo Vitor Lippi) foi enterrado. O prefeito Crespo informou que não assinaria o contrato para aquele modelo (que previa 4 corredores exclusivos para o BRT), mas mantém a idéia (agora claramente acessória) de ter um mini-BRT de 5 quilômetros somente na avenida Itavuvu, entre o princípio dela perto da UPH e terminando na entrada do Vitória Régia (lagoa da antiga Faço 3).

Desafio é atrair usuário ao transporte público

Kuka explicou que em 1990, quando o atual sistema de ônibus (com os terminais São Paulo e Santo Antônio) entrou em operação Sorocaba tinha a estimativa de 360 mil habitantes e transportou 6 milhões de passageiros naquele ano. Hoje, 27 anos depois, a população de Sorocaba praticamente dobrou (são estimados em mais de 700 mil os habitantes da cidade) e o sistema de ônibus perdeu 1 milhão de passageiros, sendo que a média de 2016 foram 5 milhões de viagens.

As causas são variadas, mas seguramente o enriquecimento da população, que passou a ter acesso a carro e motos, ajudou nessa perda de demanda de passageiros. A isso se somam bicicletas (Sorocaba tem uma das principais ciclovias do país) e a crise econômica dos últimos 2 anos quando é evidente que o preço da passagem pesa no bolso de um pai de família. Para se ter uma idéia, custa pelo menos R$ 32 uma viagem de ida e volta ao centro para um casal e 2 filhos.

Por isso, implementar o VLT (que usará a mesma linha de trem que hoje corta a cidade) é o caminho escolhido pelo prefeito Crespo. Para isso, nas próximas semanas, será assinado o convênio para o uso compartilhado da linha com a ALL com o aval das agências nacionais de transporte. A partir do convênio, será feito em até 90 o estudo para se decidir que modelo de negócio será adotado: PPP (Parceria Público Privada), concessão ou contratação. Depois disso se imagina que em 1 ano e meio o sistema esteja pronto e no mais tardar em 2019 entre em operação. Tudo isso quem explicou foi o secretário.

Até lá?

Bom, ai eu respondo: Fica tudo como está, ou seja, ônibus absolutamente lotados em horário de pico (começo da manhã e final da tarde), quase que totalmente vazios ao longo do dia e noite. Passagens caras e déficit operacional que chegará em R$ 70 milhões neste ano, dinheiro que sai dos cofres da prefeitura para manter os ônibus em funcionamento porque o preço da passagem não cobre o custo da operação. Em 2004, quando a prefeitura começou a subsidiar a Urbes, ela dava no máximo R$ 2 milhões por ano. E agora serão R$ 70 milhões.

Obviamente que algo está muito errado e, portanto, precisa ser corrigido. Uma nova pesquisa de origem e destino vai ajudar, mas certamente se oferecer transporte público na frequência que o usuário deseja, com conforto (limpeza e ar condicionado e que ele viaje sentado) e no caminho dele (como o metrô e o VLT oferece em algumas das principais cidades do mundo) o poder público vai atrair usuários. Minha sensação (obviamente que não se governa por sensações) é que há muita gente com vontade de deixar o carro em casa e usar o transporte público desde que, evidentemente, ele atenda aos interesses de quem quer deixar a comodidade (e o custo) do carro em casa.

O que mais disse o secretário

O secretário confirmou o que eu já havia escrito aqui e o prefeito Crespo disse na entrevista no Jornal da Ipanema: a existência de um estudo para reduzir as despesas da Urbes. A primeira opção cogitada seria extinguir a empresa pública. “Algumas alternativas são a extinção dela e a assunção dos seus serviços pela Secretaria de Mobilidade e Acessibilidade, aproveitando os funcionários, mas isso tudo depende de um estudo mais aprofundado, principalmente em relação a esses funcionários que são um patrimônio e não se pode abrir mão”, relatou. “Estamos concluindo este estudo determinado pelo prefeito e, talvez em breve, já tenhamos uma definição para que a gente parta efetivamente para a mudança”, destacou.

Outra alternativa, pontuou o presidente, seria partilhar a gestão dos bilhetes de ônibus sem perder o controle da receita do sistema. “Essa é a única condição que o prefeito colocou para a gente. Que o controle das ações e do caixa único sejam da Urbes ou da Semob”. O presidente explica que isto pode ser incorporado à prefeitura em mudança de figura da Urbes. “No caso da assunção pelas empresas da bilhetagem teria mais uma parcela de funcionários que conseguíssemos, mediante acordo com a Justiça de Trabalho, reenquadrá-las em nova função e, desta forma, reduzindo a despesa da empresa pública”.