Série de entrevistas do Jornal da Ipanema com os candidatos a prefeito de Sorocaba recebe José Crespo. Ele diz que os 3 principais desafios a serem enfrentados pelo próximo chefe do Executivo são: saúde, limpeza pública e educação

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O candidato a prefeito de Sorocaba, pelo DEM, José Crespo, afirmou que os três maiores problemas de Sorocaba e, por consequência, os principais desafio a serem enfretados a partir de 1º de janeiro de 2017 pelo próximo chefe do executivo  são, em ordem de importância, saúde, limpeza pública e educação.

Crespo é o terceiro a participar da série de entrevistas com os candidatos, realizada pelo Jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema, dentro da coluna O Deda Questão. Na terça-feira (13), a participação foi do candidato João Leandro (PSDB) e, na segunda-feira (12), de Helio Godoy (PRB). Glauber Piva será entrevistado nesta quinta-feira (15); e Raul Marcelo (Psol), sexta-feira (16). As entrevistas podem ser acompanhadas ao vivo em www.ipafm.com.br, nesta semana, sempre a partir das 8 horas. A ordem dos entrevistados foi definida através de sorteio, na presença dos representantes das assessorias dos candidatos. Crespo respondeu apenas questionamentos meus hoje.

Três principais problemas e desafios

Para Crespo o primeiro desafio do futuro prefeito será cuidar da saúde pública. “A saúde pública está um desastre em todos os sentidos”, criticou. Para a saúde, Crespo cita como problema a Santa Casa, que atualmente está em requisição pela prefeitura, além da falta de um hospital municipal. “Falou-se que se construiria um na antiga TCS, porém, ainda não há nada lá”. Outra situação é o campo das especialidades médicas, o que ele cita que virou um “caos” na cidade. “As especialidades estão demorando meses ou anos [para consulta/exame]. Nós temos que achar solução para que, no máximo, em 15 dias, não faltem”, pontuou. “Não venha me dizer que a crise é responsável por isso quando o problema é o desgoverno pelo qual passa Sorocaba. No meu governo vamos enfrentar o problema da saúde para que Sorocaba saia disso e consiga retornar o desenvolvimento e autoestima”, opinou.

O segundo problema é a limpeza pública da cidade. Falta de contêineres para o lixo, mato, praças mal cuidadas. Essas questões, explicou ele, são muito ouvidas por ele em suas caminhadas ruas. As pessoas estão reclamando muito sobre o assunto, afirmou.

Na questão da educação, Crespo afirma que os problemas estão na falta do tempo integral nas escolas. “Embora este assunto seja considerado importante no Brasil, poucos municípios aplicam ele. A escola é para recolher o aluno durante nove horas para o estudo tradicional, mas também com atividades lúdicas, ocupando a criança enquanto o pai e a mãe trabalham”, comentou.

Questionei ele sobre o fato de um aluno ficar 9 horas na escola é tratar a criança como prisioneira e a escola como uma prisão e citei que essa divergência é tema de diferentes educadores que classificam isso de prisão e enaltecem que o filho deve ter contato com pessoas e familiares. Ele discordou e disse que o modelo dele é o de 9 horas dentro da escola e que o convívio com os pais deve ser à noite e final de semana.

Relação com Renato Amary e Pannunzio

Crespo já foi adversário de Renato Amary nas eleições para prefeito de 1996 e 2000. Na eleição de 1992 era aliado de Pannunzio e seu candidato à sucessão. Hoje, Crespo é adversário e crítico ferrenho de Pannunzio e aliado de Renato. Incoerência? Para Crespo, não. Ele respondeu que as pessoas mudam, amadurecem e ele se tornou amigo de Renato e não reconhece no Pannunzio de hoje o mesmo da época em que eram aliados.

Crespo afirmou que Renato Amary, num eventual governo seu, não será secretário, mas terá papel importante como conselheiro da administração e um colaborador que vai atrás de recursos para serem aplicados na administração municipal vindos de agências de fomento. Deixou claro que o prefeito será ele e não Renato.

Anormal, tiros e grampos telefônicos

Crespo durante sua explanação enfatizou o quanto é importante que o eleitor conheça o passado do candidato que busca escolher para ser o candidato a prefeito. Ele tinha a estratégia de enaltecer a sua experiência na vida pública (onde já foi secretário municipal, deputado estadual por 3 mandatos e vereador por 2), mas foi provocado a falar sobre temas polêmicos de sua vida pública e os enfrentou com segurança mesmo sendo temas espinhos. Disse que os tiros dados contra sua própria produtora, na campanha de 2004, não tiveram participação de ninguém do grupo dele e que foram muitas falácias ditas a respeito. Disse que o grampo da produtora do seu adversário na eleição de 2004 foi de responsabilidade de funcionários, devidamente punidos. Sobre ter chamado de anormal quem não é heterossexual, ele disse que usou mal o termo normal, que se desculpou e já se entendeu com a comunidade LGBT.

Plano de governo: meia ou 38 páginas?

Ao longo da entrevista Crespo também enfatizou aos ouvintes que tinha em mãos um caderno de 38 páginas que é o seu plano de governo. Lembrei a ele que o Plano de Governo registrado, como manda a lei, no Tribunal Superior Eleitoral tem apenas meia página. Ele afirmou que isso ocorre porque registrou o resumo e o Plano de Governo é dinâmico e ele vai rechear com idéias do eleitor durante todo o pleito e que, se eleito, ainda aceitará sugestões até o dia 31 de dezembro deste ano, um dia antes de assumir caso vença.

Retruquei, dizendo que em uma campanha eleitoral as pessoas votam em um candidato por suas características pessoais e políticas mas também um programa de governo que ele construiu de acordo com a sua percepção com a sua vivência. Dizer que está construindo um programa de governo durante o processo eleitoral é como dizer que não conhece a realidade da cidade e não tem propostas para alterar.

Crespo, com polidez, também saiu dessa questão e disse que via de modo diferente do que o meu ponto de vista, uma vez que o importante é o que o cidadão sugere a ele antes de que feche o seu plano final.

Votos contrários

Fiz duas colocações sobre a maneira que Crespo votou sobre a criação de dois importantes instrumentos da vida sorocabana. Sobre ter votado contra a criação do Parque Tecnológico, ele explicou que é a favor do parque mas foi contrário ao financiamento dele sem que fosse seguido o que determina a lei sobre o uso do dinheiro público. Sobre ter votado contra a prefeitura aceitar a doação de uma área da família Beldi para a criação do Hospital Regional na rodovia Raposo Tavares, Crespo disse que não é contra o hospital, mas ao fato dele ter sido construído a 200 metros da Arena Esportiva e de Multiusó quando poderia ter sido construída no campus da Uniso, na própria Raposo Tavares.

Tom fica elevado quando foi surpreendido

Já no final da entrevista Crespo se surpreendeu com uma colocação que fiz sobre uma decisão da Justiça Eleitoral que multou sua campanha em R$ 10 mil por ter veiculado pesquisa inverídica, segundo a sentença da juíza, em redes sociais. Crespo não sabia dessa multa (que foi publicada na noite de terça-feira no site do tribunal eleitoral) e elevou o tom da resposta. Ele disse que era mentira minha e que a pesquisa era verdadeira e que foi informado sobre a pesquisa pelo dono da rádio Ipanema. Eu disse que ele estava errado e que a pesquisa foi divulgada sem autorização e expliquei o que o próprio Kiko Pagliato havia dito no microfone da emissora ao explicar a razão de não ter publicado a pesquisa. Crespo se irritou, disse que eu estava mentindo e que estava prejudicando a resposta dele, afinal ele era o entrevistado e não eu. Ele dizia que a pesquisa era Ipeso e eu explicava que era da Érica Análise Ltda. Ele dizia que não. Enfim, fora do microfone ele reconheceu que a pesquisa não era do Ipeso. Seu assessor explicou que a condenação ocorreu porque a juíza entendeu que na publicação por ela analisada faltaram dados exigidos por lei. Ele explicou que esses dados foram colocados na arte de divulgação da pesquisa e que vão entrar com recurso contra a decisão da juíza de ter aplicado a multa.

Nas redes sociais, enxurradas de críticas a mim e a Crespo começaram a se desferidas desde o momento da entrevista e até agora pouco continuavam. As críticas eram a favor e contra Crespo e a favor e contra ao meu comportamento. Entendo que cumpri com retidão meu papel nessa série de entrevistas e me comportei igualmente havia me comportado quando das entrevistas com Hélio Godoy e João Leandro. Não aliviei para nenhum candidato, pois entendo que o ouvinte da coluna O Deda Questão e do Jornal da Ipanema assim esperam.