Só o vício para explicar isso!

A médica sorocabana Tânia Mara Ruiz Barbosa, e o médico Cláudio Sangalli, de São Roque, tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal no final da tarde de terça-feira após pedido Ministério Público Federal que os acusa de corrupção passiva em razão de estarem atrapalhando as investigações e obstruindo a justiça no caso que ficou conhecido como Operação Hipócritas, deflagrada em 2016.

Segundo o Ministério Público Federal, os médicos Cláudioi e Tânia Mara estariam procurando, assediando e instigando outros investigados a combinarem versões falsas sobre valores de propinas.

Partiu de denúncia feita pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas as investigações que deram conta de médicos peritos sendo beneficiados por uma empresa têxtil de Americana, num processo trabalhista, onde ao fazer a perícia para a empresa, os médicos alegavam que a empresa não era responsável pela lesão de um ex-funcionário que foi prejudicado no tempo que trabalhou lá, sendo que o trabalhador, que carregava até 70 quilos nas costas sem auxílio de equipamento, desenvolveu disfunções ortopédicas, que envolvem lesão no ombro direito e artrose no quadril. Segundo a investigação, os médicos recebiam dinheiro pelo laudo que isentava a empresa de qualquer responsabilidade sobre o caso.

O que explica?

Diante da realidade brasileira, de crise no emprego para a maioria das profissões, o médico é absolutamente um privilegiado neste cenário uma vez que não lhe falta emprego. Mais, os médicos por menos horas que trabalhem conseguem uma renda mensal de R$ 10 mil.

Apenas a ganância, e obviamente a falta de valores morais e éticos, explica que um médico se arrisque ao emitir laudos falsos. Ou como disse Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, condenado a dezenas de anos de prisão por seus atos de corrupção: a propina vicia.

Operação Hipócritas

A Operação Hipócritas trata da cooptação de médicos judicias por médicos peritos do trabalho das empresas que fraudavam laudos médicos beneficiando grandes multinacionais em detrimento da saúde e da vida de vários trabalhadores em Campinas e região.

A investigação teve origem em um levantamento minucioso iniciado pelos advogados do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas sobre perícias médicas, em 2010. Ao detectar que a maioria das perícias com resultados negativos aos trabalhadores beneficiava uma grande montadora da região, em Sumaré, em 2011, o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas encaminhou a denúncia ao Ministério Público Trabalho que, após três anos de análise de cada caso, enviou para investigação do Ministério Público Federal.

A primeira etapa da Operação Hipócritas foi deflagrada em 31 de maio de 2016, com 3 mandados de prisão preventiva, 40 de condução coercitiva, e 52 de busca e apreensão. Em 11 de setembro de 2017, foi a segunda etapa da operação Hipócritas, em que Policiais Federais e Procuradores da República cumpriram seis mandados de busca e apreensão e cinco mandados de condução coercitiva, nas cidades de Sorocaba, Valinhos, São Caetano do Sul e São Paulo.

Em 2016, o sindicato campineiro propôs um seminário para falar dessa investigação, a maior já realizada no país sobre cooptação de médicos judiciais fraudavam laudos médicos em benefício de grandes empresas. O seminário foi realizado junto do Ministério Público do Trabalho e o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região, de Campinas e teve a presença de representantes do TRT, a Escola Judicial, Ministério Público do Trabalho, OAB, Ministério do Trabalho, quando foram encaminhadas sugestões para aumentar os mecanismos de controle e formação profissional dos peritos médicos.

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