Sorocaba nos tempos do Coronavírus (e está apenas começando)

Minha filha conta que sua sala de aula riu quando a minha mulher subiu o tom de voz e chamou a atenção da minha neta, de 6 anos, que, elétrica como ela só, e deu para praticar Parkour (esporte onde um indivíduo ultrapassa de forma rápida qualquer obstáculos utilizando somente as habilidades do corpo humano para não perder o equilíbrio e se esborrachar no chão) no sofá, cadeiras, escada, corrimão da sala da minha casa. As aulas presenciais da faculdade de minha fila estão suspensas e acontecem virtualmente. As da minha neta, apenas suspensas.

Uma colega que viajou ao litoral, tosse desde que retornou ao trabalho. Está de máscara (dessas que precisam ser trocadas a cada duas horas), mas o ambiente ficou carregado a ponto do chefe da seção pedir que ela vá ao médico e fique em casa, se for o caso, já que não pára de tossir.

Na padaria, sempre lotada, há espaço de sobra desde segunda-feira.

Segunda-feira saí de uma reunião e parecia dia primeiro de ano, quando ninguém está nas ruas. Um vazio assustador.

Um colega conta que o supermercado onde ela faz compra estava lotado, gente comprando latarias, farinhaços e papel higiênico, fardos e fardos. Se preparando para o confinamento.

Um almoço, que mensalmente reúne amigos de longa data, foi cancelado em que pese ter havido votação sobre mantê-lo ou não. O argumento: solidariedade com os colegas que colocaram os funcionário de sua empresa em home-office e a própria família em quarentena (pelo jeito, será seismesestena).

O Shopping Iguatemi Esplanada diminuiu em pelo menos duas horas o seu horário de funcionamento.

Os cartórios do Fórum diminuíram para duas horas o expediente ao público.

A Associação Comercial de Sorocaba orienta seus associados: empresários, estejam preparados para um período de complicações.

Uma corrente na Internet sugere: compre nas pequenas lanchonetes, na mercearia perto da sua casa, nos Pets do seu bairro, pois os MCs, BKs, Carrefours e similares continuarão existindo após a Pandemia. Os pequenos, não.

O Covid-19 perturbou completamente a vida dos chineses, dos europeus e começa muito cedo (a complicação do vírus se dará de abril em diante) a perturbar a nossa. Muito cedo porque é um vírus do frio e estará entre nós até o final do Inverno, ou seja, em setembro.

Mães, pais, irmãos, filhos, amigos já não se abraçam mais. E assim será por longos meses. Que tristeza! Mas e as crianças, como fazer para entretê-los?

As idas ao barzinho, os jantares, o cinema, grupos de corrida, missas, batismos, aniversários, formaturas estão sendo rapidamente suspensos. Apenas os velórios, com restrição, ainda resistem.

O mundo está suspenso por causa do Coronavírus. E Sorocaba também começa a ficar.

Voz isolada diante de governadores e prefeitos, o presidente da República decidiu que há mais histeria do que risco em torno do Covid-19 e até seus aliados de primeira hora, muitos responsáveis diretos por sua eleição, já duvidam de suas faculdades mentais e pedem seu afastamento.

Na Argentina, um grupo de pessoas que se encarrega de denunciar outras pessoas que, como se fosse uma brincadeira de adolescente em vez de um problema de saúde pública, não respeitavam as quarentenas ou o isolamento.

Em Miami, nos Estados Unidos, a polícia desceu o cassetete num grupo de latinos que insistia em estar na praia ao invés de fechados evitando a proliferação do Coronavírus.

Uma sugestão: Antes de começarmos a olhar com cara de inimigo para todos que cruzam nosso caminho, é essencial que sejamos incisivos a fazer o outro compreender que as precauções devem ser tomadas.

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