Sorocaba, sintonizada com o Brasil, faz história com a passeata de domingo. Mas que fique claro: 1) oportunistas, como o deputado federal sorocabano, mancham o espírito das manifestações; 2) o governo Dilma precisa ouvir as ruas e sentir que quem reclama não são só os coxinhas, mas quem vê o poder de compra do seu salário se deteriorar de um mês ao outro

Deixando de lado o número de pessoas que foram às ruas (em Sorocaba a Polícia Militar contabilizou 35 mil pessoas) na tarde de domingo, o fato é que (para usar uma expressão que se tornou famosa na boca do ex-presidente Lula) nunca antes na história desse país tanta gente foi na rua de maneira espontânea para mostrar sua indignação com um governo. Se em 2013 havia uma crítica generalizada aos políticos, nesta passeata de domingo o foco claro era o PT, o ex-presidente Lula e principalmente a presidente Dilma. Mas não se enganem os simpatizantes tucanos, por exemplo, a bronca seria contra quem estivesse no comando. A situação piora para Dilma por ela ser governo de continuidade e estar sendo incapaz de dizer porque o preço do sabão em pó pular de um mês para o outro de R$ 3,60 para R$ 5,14 só para dar um exemplo. É também incapaz de explicar porque está impondo tanto sofrimento e incerteza ao alunos (e seus familiares) que estão no Fies. É igualmente incapaz de dar tranquilidade a quem perdeu o emprego (o número só cresce) ou teme perder. Claro que tudo isso temperado com a corrupção e o Petrolão se tornaram a faí­sca que detonou a bomba que explodiu domingo passado e já tem nova data (12 de abril) para ser novamente explodida. Para piorar, a resposta do governo (via Rossetto e Cardozo) não atingiu o coração do cidadão. Dessa forma, dá-lhe panelaço. É preciso urgentemente ouvir a voz as ruas. A tal elite branca, coxinha e outros adjetivos pejorativos não classificam a insatisfação que se alastra em quem vê o poder de compra do seu salário se deteriorar de um mês ao outro.
De quebra uma crítica ao deputado federal Vitor Lippi que esteve na passeata de Sorocaba como se fosse um comum. Não é. Tem mandato. Sua presença mancha essa manifestação e é oportunista. O cidadão quer confiar na classe política, não num partido. As manifestações são das ruas e não de político.

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