Sorocabannon: vergonha ou orgulho?

O sorocabano Filipe G. Martins ampliou a fama que mantinha entre os simpatizantes da extrema-direita para toda a faixa do espectro político nacional ao ser tema de reportagem da Folhapress (Agência de Notícias da empresa Folha da Manhã, que edita o jornal Folha de S.Paulo) dando conta de sua nomeação, na quinta-feira passada (3 de janeiro) para o cargo de assessor especial da Presidência de Jair Bolsonaro para assuntos internacionais.

Formado em relações internacionais pela UnB (Universidade se Brasília) e diretor de assuntos internacionais do PSL, Filipe se apresenta como especialista em forecasting (previsão), análise de riscos e segurança internacional, tem 30 anos e desde os 17 anos segue Olavo de Carvalho, o guru extrema-direita brasileira, que se diz filósofo autoditada, tem uma biografia questionável do ponto de vista moral, mas é seguramente um dos maiores influenciadores do presidente Bolsonaro tendo sido dele a responsabilidade pela indicação de dois ministros: Ernesto Araújo nas Relações Exteriores e o colombiano Ricardo Vélez na Educação.

O justo é dizer que o sorocabano Filipe G. Martins é “obra” de Olavo de Carvalho, lapidada durante 13 anos, e pratica as ideias propagadas por ele em seus livros e cursos online, onde fatura, numa conta de padaria, cerca de 300 mil reais por mês apenas com colaborações de seus alunos.

Rede neonazista

É possível entender Filipe G. Martins a partir do momento em que a rede social Twitter bloqueou seu perfil em setembro do ano passado e ele abriu uma conta em outra rede social. A rede social escolhida por Filipe foi o Gab, que, ao acolher sem censura comentários antissemitas sobretudo nos EUA, popularizou-se entre adeptos de teorias supremacistas e neonazistas.

O Twitter bloqueou Felipe pela seguinte mensagem: “O feminismo é só um instrumento de poder de esquerda”, escreveu quatro meses atrás, durante a campanha eleitoral. “A mulher que ousa discordar das pautas de esquerda é tratada feito lixo. Só presta a que é idiota útil. O problema é que o idiota útil nunca sabe que é idiota nem a quem é útil.”

Repercussão sobre nomeação

Bem, ao virar notícia (afinal é assessor do presidente da República), a nomeação de Filipe G. Martins repercutiu entre os grupos de whattsapp de Sorocaba. Pinço duas opiniões sobre o que ela significou:

  • Ele atingiu o que queria! É novo ainda, mas já mostrou determinação. Motivo de orgulho sorocabano.
  • Sorocaba dando mais uma vergonha ao país. Que “gênio”!

O título deste post

Mas o que significa a expressão “sorocabannon” que está no título desta postagem? É uma referência ao fato de Filipe ser declaradamente entusiasta de Steve Bannon, ex-estrategista do presidente americano Donald Trump, ou seja, os admiradores de Felipe lhe deram como apelido o neologismo Sorocabannon que é a junção de Sorocaba (sua cidade) como Bannon.

Na assessoria especial da Presidência, em função análoga à de Marco Aurélio Garcia durante o governo Lula, Martins atuará – conforme a notícia da Folhapress – como  ponte entre o chanceler e Bolsonaro. Na definição de membros do governo, o assessor não terá atribuição de formular política externa mas sim de garantir sintonia entre o Itamaraty e o Palácio do Planalto.

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