Tom político da greve de ônibus sobe e qualidade do serviço despencou

GreveBusComboioA Urbes – que gerencia o trânsito e o transportes em Sorocaba – acionou o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) na manhã de hoje (06/07) quando os motoristas de ônibus retomaram a greve que entrou em seu oitavo dia com 3 medidas:

  • Informando que os motoristas de ônibus voltaram a fazer greve
  • Solicitando que o Tribunal decrete a ilegalidade dessa greve devido às irregularidades cometidas pelo sindicato da categoria ao longo das paralisações
  • E, caso o entendimento do juiz seja de que a greve é regular, que então sejam revistos tanto o percentual de frota mínima de ônibus em circulação quanto as penalidades pelos descumprimentos.

Até às 19h30 de hoje (06/07) não havia o julgamento da manifestação da Urbes.

Greve política

Tenho percebido que não apenas no Jornal da Ipanema, mas igualmente em outros veículos de comunicação da cidade, de cada dez ouvintes ou leitões que se manifestam, nove responsabilizam o sindicato pela greve. As pessoas entendem que aceitar a reposição da inflação, numa economia conturbada como a atual, é o suficiente.

O sindicato, e isso ficou claro hoje na fala do vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região, vereador Francisco França (PT), partiu para o contra-ataque. Durante entrevista, por telefone, ao Jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema 91,1 FM, nesta quinta-feira, ele criticou a ausência do prefeito Crespo nas audiências de conciliação para definir o reajuste salarial dos trabalhadores de transporte e carregou no adjetivo: “Esse prefeito irresponsável que nós temos em Sorocaba [tem que] parar de ficar ameaçando, falar besteira na imprensa e chamar as empresas e intermediar as negociações. Como sempre ocorreram em inúmeros anos que estou na direção do sindicato, sempre quando houve impasse a administração [municipal] interveio e fez mediação entre as partes. Infelizmente, nós temos um prefeito irresponsável em Sorocaba, que vive ameaçando todo mundo, acha que é o ‘dono do mundo’ e não faz o papel dele. Precisamos sentar numa mesa de negociação e achar uma solução para resolver o impasse. Trabalhador não tem medo de ameaça”.

A Urbes, apesar de tentar se ater às questões técnicas e financeiras que estão em questão no índice de reajuste, tem características políticas em seu posicionamento quando se atém ao fato do sindicato estar descumprindo determinação judicial para que a greve ficasse suspensa até o dia 9 de agosto, quando será julgado o mérito do aumento real pedido pelo sindicato. O mesmo tom político é interpretado quando enfatiza, a cada entrevista, que o motorista de ônibus de Sorocaba tem o maior salário do Brasil (perto de R$ 4 mil) para uma jornada de 6h/dia quando o de São Paulo, capital, ganha menos de R$ 3 mil para uma jornada de 8h/dia.

Qualidade despenca

Em que pese 70% da frota estar em circulação nos horários de pico e 50% nos demais horários, a greve desta quinta-feira foi bastante diferente dos dias anteriores: Os horários não estavam sendo cumpridos e houve mais de um registro de ônibus trafegando em comboios e sem passageiros.