Veja os desafios dos pré-candidatos a prefeito

Com a mudança da data da eleição deste ano de outubro para o dia 15 de novembro, quando serão escolhidos prefeitos e vereadores em todas as cidades do Brasil, o calendário eleitoral permite que os partidos façam suas convenções no período de 31 de agosto a 16 de setembro.

Portanto, nas próximas semanas, existem apenas pré-candidatos, ou seja, pessoas com a intenção de se candidatarem. Em Sorocaba, são 11 pré-candidatos a prefeito até o momento. Porém, desses 11, um deverá ser candidato a vice-prefeito e outro deverá preferir disputar a reeleição para a Câmara de Vereadores, restando, portanto, 9 no páreo.

A seguir, faço um breve perfil sobre cada um dos pré-candidatos com base no que é público da vida de cada um deles.

Desafio de mudar a lógica

Rodrigo Manga, que foi reeleito vereador em 2016 para seu segundo mandato com expressivos 11.471 votos, tornou-se o mais votado da história de Sorocaba e presidiu a Câmara no exercício de 2017.

É difícil que alguém em Sorocaba não saiba ainda que Manga será candidato. Esse, até o momento, tem sido o seu grande mérito. Ele não teve dúvidas e há mais de um ano vem dizendo dessa sua intenção.

O currículo de Manga é a sua história na política, construída nas duas últimas legislaturas na Câmara de Vereadores. É difícil saber seu grau de escolaridade, por exemplo. Antes de vereador, Manga foi vendedor de carros usados na rua 7 de setembro, centro de Sorocaba. Ele foi viciado em drogas, sendo que a primeira vez que tornou isso público foi numa entrevista para O Deda Questão, quando exibido no canal 23 da NET. Ele se recuperou, se tornou missionário da Igreja Mundial e fundou a ONG Cadq (Centro de Atenção ao Dependente Químico) onde auxilia centenas de pessoas que buscam sair do mundo do crack e outras drogas.

Ele carrega, para o bem e para o mal, o protagonismo de ter tido ativa participação nas duas cassações do prefeito Crespo. E sua candidatura carrega o peso de mudar o estigma do “cavalo paraguaio”, candidato que sai na frente, chega atrás como ocorreu nas eleições de 1996, 2000, 2004.

Manga, como missionário evangélico, adotou um discurso de costumes muito parecido com o do presidente Bolsonaro e defende as posições do presidente.

Desafio de manter a lógica

Jaqueline Lilian Barcelos Coutinho ou Jaqueline Coutinho é formada em Direito pela Fadi Sorocaba. Atuou ainda na Delegacia do Idoso e no Necrin de Sorocaba. Nascida em Sorocaba a 3 de setembro de 1966, Jaqueline Coutinho é divorciada e tem dois filhos pré-adolescentes, Maitê e João. Esta é a biografia da prefeita de Sorocaba, publicada no portal da Prefeitura de Sorocaba.

Sem nunca ter sido política, ela foi convidada em 2016 a ser vice-prefeita na chapa de Renato Amary e seguiu na chapa como vice quando Renato desistiu e Crespo assumiu. Jaqueline foi a grande beneficiada nas duas cassações de Crespo, pois acabou ficando com o cargo. No auge de sua desavença com Crespo, ela se candidatou a deputada estadual, então pelo PTB, e superou os 30 mil votos, ficando fora da Assembleia por pouco.

Ele carrega, para o bem e para o mal, o protagonismo de ter tido ativa participação ao menos na primeira cassação do prefeito Crespo, sendo que na segunda cassação, ela própria, por muito pouco, também não perdeu o mandato. A sua candidatura carrega o peso do estigma de quem está no poder, se reeleger. Desde o advento da reeleição, no começo dos anos 2000, Renato Amary se reelegeu e Vitor Lippi igualmente. Pannunzio não quis concorrer.

Jaqueline Coutinho se filiou ao PTB, mudou ao PDT e agora está no PSL, o partido pelo qual Bolsonaro foi eleito. Em seu governo, ela abriu espaço para militantes do PT, PC do B, PDT, siglas de esquerda. E se filiou a um partido de direita. Será um desafio explicar isso ao seu eleitorado. No começo da pandemia, ela teve a certeza de que o isolamento era o único caminho a ser seguido, agora já pensa diferente. Essas mudanças drásticas de opinião serão outros desafios de sua candidatura.

Perseverança de Lula

Raul Marcelo de Souza (nascido em São Pedro do Turvo, 31 de maio de 1979), mais conhecido como Raul Marcelo, é um advogado e político brasileiro, filiado ao PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). Em 2001, pelo PT, ele assumiu seu primeiro mandato como vereador com 1.961 votos, sendo o vereador mais jovem eleito no período democrático; foi reeleito ao cargo em 2004, sendo o vereador mais votado da cidade até então. Em 2006, já no PSOL, foi eleito pela primeira vez deputado estadual; em 2014, foi reeleito deputado estadual. Em 2008 foi votado por 7,95% dos votos para prefeito; na eleição de 2012, para prefeito, obteve 14,93% dos votos; em 2016 disputou novamente as eleições para prefeito e obteve o equivalente a 25% dos votos no 1º turno e 41,52% no 2º turno.

Raul Marcelo demonstra a perseverança de Lula, que depois de perder 3 eleições seguidas para presidente da República, ganhou na quarta tentativa e depois se reelegeu e elegeu sua sucessora.

Uma das suas principais vantagens de Raul em todas as eleições que concorreu é a sua aparência de bom moço o que pesa muito, em especial num pleito municipal onde ao contrário de um pleito nacional, onde os eleitores levam em conta a ideologia do candidato, na eleição local a pessoa  conta mais do que sua ideologia. Isso ajuda a explicar o sucesso de Raul Marcelo mesmo estando num partido de esquerda numa cidade conservadora que prefere os candidatos mais à direita, como Sorocaba. E também explica o que tanto se ouve, quase como um mantra, de que se Raul estivesse em outro partido, que não PSOL ou PT, ele seria eleito prefeito de Sorocaba.

Neste ano, Raul carrega, para o bem e para o mal, o protagonismo de ser o único candidato da esquerda, uma vez que seu vice será do PT. Pela primeira vez, PSOL e PT se unem em única candidatura em Sorocaba.

Desafio de reacender a chama tucana

Maria Lúcia Cardoso Pinto Amary (nascida em Santos no dia 18 de abril de 1951) é advogada com mestrado em direito constitucional e administrativo pela PUC-SP, professora e política brasileira. Exerce o quinto mandato consecutivo como deputada estadual e consagrou-se como a primeira mulher a estar à frente de um partido político em Sorocaba ao presidir o PSDB em 1995, partido político que é filiada há mais de 20 anos. Este é o currículo que Maria Lúcia Amary apresenta em seu perfil na rede social, onde se segue uma lista com suas ações no cargo.

Maria Lúcia Amary carrega nesta disputa os atributos de ter sido eleita 5 vezes seguidas para a Assembleía Legislativa; o sobrenome Amary, que herdou de Renato Amary, seu ex-marido e prefeito que ficou marcado na história de Sorocaba; a parceria política e eleitoral com Vitor Lippi, político de expressiva aprovação na cidade, tendo ela sido figura-chave para a escolha de Lippi como sucessor de Renato na eleição de 2004; soma-se a isso sua experiência de pelo menos 30 anos no ambiente político e, em todo este período, ter passado ilesa de qualquer acusação de corrupção. Toda essa experiência, porém, pode ser o seu próprio fardo se o argumento da campanha, aquilo que é o desejo do eleitorado, for a renovação. Além disso, vai pesar contra ela as acusações de corrupção que atinge expoentes do seu partido como José Serra e Geraldo Alckmin; além do fato de neste período de pandemia muitos eleitores recriminarem a atitude do governador, do seu partido, João Dória Jr., em relação a abertura e fechamento do comércio.

Com esses atributos e fardos, para o bem e para o mal, Maria Lúcia Amary tem o desafio de reacender nesta eleição a chama tucana de eleições passadas, quando o partido governou Sorocaba por 20 anos seguidos.

Quem corre por fora

Além das quatro candidaturas acima, cujo a musculatura política tem tradição na cidade (Quem se colocou como candidato por primeiro; quem está no poder; quem já disputou três eleições; quem representa o partido que governou a cidade por duas décadas), outros 7 candidatos se colocam como opção ao eleitorado sorocabano neste momento de pré-campanha.

Acompanhe o perfil de cada um:

Cicero João da Silva, natural de São Jose do Belmonte (PE). Ele possui o Ensino Médio completo, é empresário e seus negócios estão concentrados na cidade de São Paulo na área de entretenimento. Ele viu uma oportunidade em Sorocaba e tenta se fixar na cidade através da política, onde foi candidato a vereador pelo PP em 2012 e obteve 2.347 votos, em 2016 foi candidato a deputado estadual pelo PRP e obteve 7.894 votos. Ele se filiou ao PTB e pela primeira vez se coloca como pré-candidato a prefeito. Quando estava no PEN, Cícero foi acusado pelo Ministério Público Eleitoral de Sorocaba de oferecer apoio financeiro para a construção de novo templo da igreja da Assembleia de Deus do Ministério Madureira, da Vila Carvalho, em troca de voto. Por falta de provas, a Justiça o inocentou da acusação.

Flaviano Agostinho de Lima (Avante), em que pese sua atuação na Prefeitura de Sorocaba como secretário da Educação de Sorocaba nos dois últimos anos da gestão do prefeito Pannunzio, e, anteriormente, ter presidido o Parque Tecnológico de Sorocaba, ele prefere usar seu vasto currículo acadêmico como instrumento de convencimento do eleitor. Ele foca no planejamento de Sorocaba, na preparação de políticas públicas para preparar a cidade para o futuro. Em sua apresentação, ele informa que é doutorando em Ciências Ambientais pela Unesp Sorocaba/SP, possui graduação em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP, 1991), graduação em Direito pela Faculdade de Direito de Sorocaba-SP (1998), Mestrado em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1998). Cursou disciplinas de pós-graduação na Unicamp e FGV (SP). Atualmente é Professor de Ensino Superior II e III do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza nas unidades Fatec Tatuí/SP e Fatec Sorocaba/SP, além de atuar na Educação a Distância (EAD) como Mediador on-line no curso de Gestão Empresarial do Centro Paula Souza. Foi Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade de Sorocaba/SP – Uniso, Secretário Geral da Fundação Dom Aguirre, entidade mantendora da Uniso e do Colégio Dom Aguirre, e dentre o exercício outros cargos como o de funcionário concursado no Banco do Brasil (1987/1997) onde chegou à Diretoria de Bancos – Gerência de Cartões de Crédito (DIBAN/GECAR).

Renan Santos, natural de Sorocaba, onde nasceu em 26 de março de 1985. Relações Públicas, é professor universitário e secretário geral do Sindicato dos Professores de Sorocaba e Região (Sinpro). Foi eleito, em 2016, para seu primeiro mandato como vereador com 3.181 votos. Este é o currículo que Renan apresenta na página oficial da Câmara de Vereadores. Ele deixou o PC do B próximo do limite do prazo eleitoral e ingressou no PDT, partido pelo qual ele pretende concorrer a prefeito.

Leandro Fonseca, 41 anos, médico, é o pré-candidato do Democratas para a Prefeitura de Sorocaba nas eleições municipais 2020. O nome dele foi definido no início de maio, após reunião da executiva realizada pelo partido, cujo atual presidente é Alexandre Hugo. O nome de Crespo, político do seu partido, é excluído de qualquer menção que possa unir a imagem dos dois. Formado pela Faculdade de Medicina de Sorocaba (PUC Sorocaba), além de médico com atuação na área de emergência hospitalar, Leandro também é empresário no ramo de instrumentos musicais e disse que adotou a cidade desde quando chegou, em 2007, para estudar Medicina.

Carlos Peper, casado há 34 anos com Cecilia de Oliveira, pai de 3 filhas, Elizadelya, Francielly e Larissa, é radialista, jornalista, atua em serviços comunitários e sociais. Morador há 31 anos em Sorocaba, foi presidente e fundador da ONG Acerdavida. Exatamente assim ele se apresenta em sua página de rede social. Em eleições passadas, ele chegou a se colocar como pré-candidato a prefeito, mas não levou seu desafio adiante.

Quem deverá ser vice

Anselmo Rolim Neto é natural de Sorocaba, onde nasceu em 4 de março de 1972. Advogado formado pela Faculdade de Direito de Sorocaba (Fadi), é pós-graduado em Direito Público pela Escola Paulista de Direito, em São Paulo. É Ministro da Eucaristia e da Palavra na Paróquia São José Operário, na Vila Progresso. Assim ele se define na página oficial da Câmara de Vereadores.

A forte ligação de Anselmo Neto com a igreja católica e sua saída do PSDB para ingressar no Podemos são indicativos de que na convenção do partido, quando se oficializa a candidatura, ele poderá vir a ser candidato a vice-prefeito na chapa de Maria Lúcia Amary. Sua presença, assim como a de outros políticos com forte ligação católica, são indicativos de que este aspecto, o da fé, é valorizado no antagonismo à candidatura de Manga que reuniu em torno de si políticos ligados às igrejas evangélicas.

Quem não deverá se arriscar

O vereador Fernando Alves Lisboa Dini nascido em Sorocaba em 27 de janeiro de 1972, divorciado, pai de Isadora, com 12 anos de idade, é Técnico em Contabilidade e formado em Direito pela Faculdade de Direito de Itu. Passou a infância na Vila Hortência, região do Além Ponte. Assim ele se define no perfil na página oficial da Câmara de Vereadores.

Ao contrário de Manga, que há mais de um ano saiu dizendo que era candidato a prefeito, Dini até o momento não conseguiu convencer as pessoas, mesmo as próximas a ele, de que é o candidato. A situação piorou para Dini quando a prefeita Jaqueline, de quem ele se aproximou desde o fim do ano passado, decidiu levar sua candidatura adiante.

Entre uma reeleição provável para vereador e uma eleição improvável para prefeito, imagino que Dini vá preferir o que está mais próximo dele. Resta saber o tamanho da mágoa com a prefeita Jaqueline para entender com quem o MDB vai caminhar nesta eleição.

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