Vereador do MDB sorocabano nega ter puxado tapete do presidente do diretório municipal do partido, mas afirma ser soldado da legenda, e como tal, está pronto para assumir novo posto se for chamado

O vereador Fernando Dini, eleito em 2016 para o seu segundo mandato na Câmara de Sorocaba e atualmente exercendo o cargo de secretário de Segurança e comandante da Guarda Civil Municipal na gestão do prefeito Crespo, concedeu entrevista na manhã de hoje ao Jornal Ipanema (FM 91,1Mhz), na coluna O Deda Questão, e colocou um ponto final a respeito das especulações de que ele puxou o tapete (expressão que vem sendo usada nos bastidores) de Renato Amary, ou seja, ele articulou a saída de Renato do comando do diretório municipal do MDB.

Primeiramente Dini deixou claro que sabe que falam que ele teria puxado o tapete de Renato e está na linha de tiro, mas enfatiza que nunca reivindicou nada no sentido de trocar o comando do partido e nunca fez interferência alguma nas decisões tomadas pelo MDB seja no diretório municipal ou no diretório estadual.

Dini também deixou evidente sua ótima relação com o comandante do diretório estadual da legenda, deputado federal Baleia Rossi (que tem base eleitoral em Ribeirão Preto) e que tem ciência de que na reunião da Executiva do Diretório Estadual do MDB, na semana que vem, haverá uma decisão sobre o comando da legenda em Sorocaba.

Fernando Dini afirmou que é um soldado da legenda e sempre se posicionou sobre as decisões, mas que uma vez tomada ele segue o que foi decidido. Foi assim quando Renato Amary abriu mão de ser o candidato a prefeito e indicou que o grupo deveria trabalhar por Crespo, que é do DEM, e ele queria que fosse alguém do MDB. Mas sendo voto vencido, virou aliado de primeira hora de Crespo e se mantém fiel daquele momento e até hoje.

Dini não falou, mas eu interpreto de sua entrevista, onde ele falou que é coerente às decisões do partido, que discorda do rumo tomado pelo MDB a partir do momento em que o partido decidiu que seria governo (ou seja, apoiaria Crespo), portanto votaria contra a cassação do prefeito, mas três vereadores (Hudson Pessini, Vitão do Cachorrão e Péricles Régis) desobedeceram essa decisão e nada foi cobrado deles, em que pese o regimento do diretório prever punição a quem é infiel. Além disso, Dini deixou claro que o partido deixou de se reunir e discutir o seu rumo, numa crítica evidente ao comando da legenda, em que pese desde novembro Renato ter pedido licença e Alexandre Robim (secretário de Crespo) seja o comandante da legenda.

Pronto para novo desafio

Quando disse era um soldado do partido, Fernando Dini também deixou claro que está pronto para outros desafios, como por exemplo, assumir o comando local da legenda se for mesmo destituído o atual comando.

Sobre, se Renato for retirado ele deixar a legenda e os 6 vereadores acompanharem ele também deixando o MDB, Dini falou que só se pronunciaria quanto não houver mais a possibilidade, mas for fato. Ou seja, mostrou que aprendeu com Renato que, há 30 anos, usou pela primeira vez a expressão que “só se abre o guarda-chuva quando está chovendo, não quando está ameaçando chover”.

Por fim, Dini enfatizou que deseja a composição e não divisão, mas com coerência e se for chamado assume o comando local do MDB e será candidato a deputado (federal ou estadual) se for para ajudar.

O que se sabe

Caso não seja revertido o comando da legenda em Sorocaba irá abrir a brecha jurídica para deixar livre a cada militante e, principalmente, cada vereador (que cumprem mandato)  para que fiquem na legenda ou prefiram sair, acompanhando Renato Amary em uma debandada do partido, não necessariamente seguindo ele em sua nova legenda.

A dúvida é se basta o diretório municipal autorizar a saída dos vereadores para eles não perderem o mandato ou há a necessidade de que o diretório estadual também faça isso. O fato, certo, é de que haverá embates jurídicos.

São sete vereadores que hoje estão no MDB e apenas um, Fernando Dini, é contrário ao comando de Renato Amary à frente da legenda. Os outros seis parlamentares deverão seguir para onde for Renato: Hudson Pessini, Péricles Régis, Vitão do Cachorrão, Hélio Brasileiro; além dos suplentes Rafael Militão, suplente de Dini que está como secretário de Segurança; e Zé Medina que está vereador porque Marinho Marte e Cíntia de Almeida estão como secretários. Sei que Hudson Pessini se recusa a ir a qualquer partido que tenha a palavra Socialismo no nome, o que impediria, por exemplo, que todos caminhem ao PPS (Partido Popular Socialista) que tem apenas no nome, mas em hipótese alguma na prática, o socialismo.

O que aconteceu

A pergunta é: o que aconteceu que levou Baleia Rossi (com base eleitoral em Ribeirão Preto e presidente do diretório estadual do MDB) a abandonar o Renato?

A resposta vem de uma das lideranças do partido, que prefere o anonimato: Foi pintado um perfil de inoperância do atual presidente do MDB em Sorocaba, em que pese ele ter sido  o principal responsável pela eleição do prefeito, de seis vereadores e ser o principal nome da derrota do PSDB que depois de 20 anos deixou o comando da cidade. Renato Amary, portanto, está sendo traído. Mas apesar dos fatos, veio o refluxo de cima para baixo contra Renato cobrando novos fatos que provem a sua atividade política, traduzindo: queriam que o Renato saísse candidato… Renato é um pilar político estadual. E o que foi feito é que colocaram de forma encomendada a faca no pescoço dele. O Paulo Skaf, virtual candidato a governador ou a senador, entrou na briga a favor de Renato mas até o momento sem sucesso. O prazo é dia 9 de março. Agora, o fato é um só: o MDB perde muito com essa postura tomada contra o Renato e começa, na minha opinião, uma caminhada de costas para voltar a ser o que era MDB Sorocaba antes de Renato assumir o comando do partido e levar ele à vitória em 2016.

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