Vice-prefeita define seu futuro a partir do que disser na Comissão Processante. Ela ainda pode escolher a política ao invés da guerra, como preferiu ao ir à CPI

JaquelineA Comissão Processante da Câmara Municipal de Sorocaba, que investiga o prefeito Crespo por suposta infração político-administrativa, adiou da semana passada para esta quarta-feira (02/08) todos os depoimentos das testemunhas envolvidas com o atrito que originou o rompimento entre o prefeito Crespo e a vice-prefeita Jaqueline Coutinho.

A primeira testemunha a ser ouvida, às 9h, será a guarda municipal Raiana Mendes, seguida do também guarda municipal Roberto Duran Campos. Logo após, prestarão depoimentos a vice-prefeita, Jaqueline Coutinho; o secretário do Gabinete Central, Hudson Zuliani; os servidores Raphael Pironi de Souza e Carlos Henrique Mendonça; e o corregedor-geral do município, Gustavo Barata.

A ex-assessora Tatiane Regina Goes Polis será ouvida às 12h30. Em seguida, prestam depoimentos o mantenedor da Esamc, Luiz Castanho; Luiz Cláudio Oliveira dos Santos, do Rio de Janeiro; o servidor da secretaria de Educação do Rio de Janeiro, Jaime G. de Moraes Filho, e o secretário estadual da referida pasta, Wagner Victer.

A escolha da vice

Jaqueline Coutinho já deu entrevista no calor do entrevero no Jornal da Ipanema e coluna O Deda Questão no Jornal Ipanema (FM 91.Mhz), já registrou boletim de ocorrência, já se manifestou no Facebook, já deu depoimento ao promotor Orlando Bastos Filho do Ministério Público de Sorocaba, já deu depoimento no inquérito da Polícia Civil sobre o que motivou a briga, o que aconteceu na sala no dia da briga e a sua mágoa com tudo isso. Mas a gota d’água no rompimento do prefeito com a vice foi a aparição, sem ter sido convocada, na CPI criada na Câmara com o propósito de definir se o prefeito cometeu algum crime nesta questão, da vice.

Ela não disse nada na CPI diferente do que já havia falado ao MP, polícia e imprensa, mas sua postura foi interpretada como desejosa de uma guerra. E ao entender que queria guerra, o prefeito partiu para o ataque e a tirou do governo. Vale lembrar que não existe eleição de vice no Brasil (houve um dia, mas não existe mais), ou seja, o eleitor não escolhe a vice, mas o prefeito e junto vem a vice que o prefeito escolheu.

O que deseja a vice?

A vice quer voltar a ser vice ou quer ser a prefeita colaborando nas batalhas para tirar de Crespo o cargo de prefeito?

Para o prefeito, embora ele não fale isso, está evidente que ele acha que a vice, no calor da mágoa, se aliou aos adversários dele em especial aos vereadores que viram na criação da Comissão Processante uma chance se não de tirá-lo do cargo ao menos de colocá-lo numa situação de fragilidade. Mais, para o prefeito, o advogado Márcio Rogério Dias, escolhido pela vice-prefeita para defendê-la, é do PSOL. O advogado não é do PSOL, não é filiado, não é ativista. Mas ele é amigo de Raul Marcelo, deputado estadual e que disputou o 2º turno da eleição com Crespo. Ambos moram no mesmo condomínio e seus filhos, que são crianças, são amigos. Márcio preside o São Bento (cujo técnico deu apoio a Raul Marcelo na campanha) e preside a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que moveu ação para que um advogada sem a carteira da OAB (Marinho Marte) não fosse o secretário Jurídico. Enfim, Crespo tem o seu juízo a respeito do advogado escolhido pela vice.

Ou seja, a primeira missão da vice é demonstrar com atos ao prefeito o que ela deseja. Se Jaqueline repetir nesta quarta-feira na Comissão Processante a postura adotada na CPI demonstrará, na visão do prefeito, que deseja o seu cargo. Mas se deseja de fato ser vice e recompor o governo, reocupando um espaço dentro da Prefeitura, a Comissão Processante pode ser esse sinal.

O que eu faria

Muita gente me pergunta o que eu faria se estivesse na condição da vice ou, mesmo, se fosse o marqueteiro dela. De verdade, fosse eu a vice e quisesse ser vice de novo eu não iria prestar mais depoimento algum em nenhum lugar e começaria ao não comparecer nesta quarta-feira na Comissão Processante. Seria um ato político (quem falar o contrário quer apenas colocar fogo nessa relação) e um claro sinal ao prefeito. Ao não falar na Comissão Processante Jaqueline, usando uma figura de linguagem, jogaria a batata quente nas mãos do prefeito, ou seja, ela demonstra boa vontade para recompor e caberá a ele o ônus (de recusar) ou o bônus (de aceitar).

FOTO: Jaqueline Coutinho, vice-prefeita de Sorocaba, ao lado de Campos Machado o principal líder do seu partido, o PTB, e com quem ela passou a se aconselhar mais de perto nos últimos dias a respeito desse rompimento com o prefeito