Violência (pedido de impeachment e passeata até a casa do prefeito) gera violência mesmo que ela venha numa embalagem de papelão e recheada de minicoxinhas. Nessa briga de egos quem sofre são 13 mil servidores e seus familiares

Coxinhas

Carlos Mendonça, assessor do prefeito, oferece coxinhas e servidores reagiram com raiva à oferta

O prefeito Crespo pode ter razões técnicas para transferir para outubro a discussão com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais a respeito do reajuste do salário dos funcionários da Prefeitura de Sorocaba.

O presidente da entidade, Salatiel Hergezel, por sua vez, tem os motivos institucionais para fazer valer a lei que determina como sendo em janeiro a data-base para esta discussão salarial com a categoria.

Crespo ocupa o cargo de maior relevância da cidade e é forte por ter a caneta. Apenas por isso deveria dialogar com o sindicalista e dar uma chance de Hergezel sair da sinuca de bico no qual todo sindicato e trabalhador se encontra diante daquilo que é a pior crise econômica pela qual passa o Brasil nos últimos 30 anos seguramente.

Sem alternativa, e com uma inteligência que eu não consigo ver, o sindicalista partiu para atos extremos. Primeiro o descabido pedido de impeachment do prefeito e na noite de quarta-feira o uso de uma mesma arma: passeata até a cada do prefeito. Em 2016 conseguiu reunir 2 mil pessoas e nesta quarta apenas 120 furiosos servidores.

Com alternativa, e com uma inteligência que eu não consigo ver, o prefeito partiu igualmente para atos extremos: mandou um assessor comprar um cento de minicoxinhas da Padaria Real e oferecer aos manifestantes que foram até a sua casa.

Se gentileza gera gentileza, como diz o ditado, violência gera violência mesmo que ela venha em forma embalagem de papelão e esteja forrada de minicoxinhas.

Não há humor. Mas ironia.

Fazer passeata de protesto até a casa não é inteligente. Mas desrespeitoso. Isso não agrada nem mesmo os funcionários públicos tanto que apenas 1% dele se animou a participar.

Oferecer coxinhas não é inteligente e menos ainda educado. Mas desrespeitoso.

E eu pergunto: para que essa briga? O que cada lado quer provar com atitudes cada vez mais esdrúxulas? Onde está a turma do deixa disso?

O fato é que não há mais clima para Crespo atender antes de outubro qualquer pedido do sindicato. E muito menos para Hergezel interromper a luta sindical. Ou seja, a seriedade do que está em jogo (a reposição da inflação do salário do funcionário público) ficou perdida entre os egos (termo da psicanálise) de Crespo e Hergezel. E quem sofre são 13 mil servidores e seus familiares.