Vítimas de Roger Abdelmassih negam que Ivanilde seja a porta-voz delas

Vanuzia Leite Lopes, fundadora do Grupo Vítimas Unidas, que reúne mulheres vítimas da violência, me enviou um email após minha publicação, neste blog, a respeito de Ivanilde Vieira Serebrenic que concedeu entrevista ao programa “Conversa com Bial” para promover a série Assédio – que estreou no mês passado pela plataforma Globoplay – que segue sem data prevista para ser exibida pela TV aberta. Assédio, obra ficcional, conta a história de uma rede de mulheres que se forma para denunciar abusos sexuais cometidos por um médico bem-sucedido e respeitado, ou seja, a TV Globo transformou em série o caso do médico Roger Abdelmassih (condenado a 278 anos de prisão por estupro contra 39 mulheres).

No email, Vana Lopes – como Vanuzia ficou conhecida – afirma que Ivanilde não representa as mulheres vítimas da violência, acusa-a de desagregar o Grupo Vítimas Unidas e que ela usa a imprensa neste tema para melhorar sua imagem em relação a outros reveses da sua vida. Vana pede que quando o assunto vier, novamente, a ser tratado, que Ivanilde não seja convidada a falar como representante do grupo.

Na foto desta postagem estão Vana e a capa do livro “Bem-Vindo ao Inferno”, de Cláudio Júlio Tognoli, onde Vana é tratada como sendo a mulher que caçou o médico estuprador Roger Abdelmassih.

Leia o que diz o email:

O Grupo Vítimas Unidas, com mais de 130.000 mil participantes em rede social, juntamente com as vítimas de Roger Abdelmassih que são responsáveis pela origem do grupo, sendo que destas 38 se mantém anônimas, estão também no processo contra o Brasil por descaso na Corte Interamericana de Direitos Humanos, viemos por intermédio deste email pedir formalmente que a vítima Ivanilde Vieira Serebrenic, mais conhecida como Ivany Serebrenic, não seja nossa  representante sobre a minissérie Assédio, que conta a história de muitas de nós. O que sucede explicamos neste breve texto:

A senhora Ivany divulga ser defensora de vítimas, sendo que não temos conhecimento, tampouco provas de que ela tenha ajudado efetivamente ninguém; ela usa a imprensa em interesse próprio para limpar seu nome, pois a mesma foi presa na operação Pandora, período de 2009, sendo posteriormente absolvida, no ano de 2017, pois a gravação telefónica que ela se encontrava junto com seus cúmplices,  prova raiz do processo, foi considerada uma interceptação ilegal, ou seja, não houve julgamento sobre os fatos, como explicado pelo próprio Juiz Jayme Walmer de Freitas, que a absolveu.

Assim, se a minissérie “Assédio deseja dar voz às vítimas, se a intenção da Globo é realmente esta nobre causa, não pode, nem deve, dar voz a qualquer pessoa.

O fato de alguém ser vítima desta atrocidade, estupro, não é, nem deve ser usado como escudo para outros comportamentos duvidosos. Esta senhora (Ivanilde) usa nossa e sua causa em benefício próprio. Ela tenta dissolver nosso grupo coeso, propagando mentiras. Infelizmente ela convenceu duas vítimas para ficarem do lado dela montando uma rede de intrigas da qual não queremos nem fazemos parte.

Em suma, o mais importante a ser declarado e a intenção real deste comunicado, é também nos isentarmos de qualquer prática que a mesma (Ivanilde Serebrenic) possa vir a fazer, pois ela está sendo nomeada em Países da América do Sul e Central como nossa representante e foi indicada a ser Presidente de uma Fundacion Find, uma vez que fora do Brasil ninguém tem conhecimento destas suas condutas, mesmo que declarada inocente perante a lei, que não julgou o mérito. Nossa maior preocupação é com a nossa reputação, nossa credibilidade, nossa causa, de dezenas de vítimas. Temos entre nós advogada, promotora e juíza, vítimas anônimas que aqui, neste email, por intermédio do nosso Grupo, se manifestam.

Atenção, por favor por tudo exposto, pedimos que vítimas que nos representam, e estão dispostas a mostrar o rosto, sejam incluídas em qualquer futura reportagem, juntamente com as que por vocês são chamadas de Helena, Nelma e Teresa, e não mais dê espaço, para que possa falar por nós, a vítima Ivanilde Vieira Serebrenic, pois como ela disse no programa do Bial que sofreu descrédito. Não desejamos mais  descrédito por nenhum motivo. Ademais o que ela propaga, como ato unicamente seu, de coragem em iniciar esta saga, não condiz com a verdade visto que não foi a primeira vítima a mostrar-se na imprensa, dado fácil de ser confirmado em pesquisa de matérias, foi a segunda a aparecer, numa diferença de uma semana, o que não  tira o mérito da Ivani, óbvio. A primeira foi Monika Bartevich, que acreditamos, não deseja mais aparecer , pois não temos mais contato com a mesma.

Decerto a minissérie Assédio é uma ficção, mas não pode, nem deve ser um gancho para mentira e ou vergonha.

Agradecemos a atenção e na esperança de sermos atendidas, esperamos que entendam nosso drama, traumas e preocupação de todas.

Maiores esclarecimentos, Vanuzia Leite Lopes, fundadora do Grupo, Maria do Carmo Santos, psicóloga das vítimas, mestre em História e Doutora em Educação. Presidente do Grupo Vitimas Unidas e Taís Teixeira Camenzind, vice-presidente do Grupo Vitimas Unidas.

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