Volta de secretário para o cargo de vereador é apenas uma decisão entre as outras que virão para marcar o final da era “Crespo Paz e Amor” que vinha sendo a marca do prefeito desde a campanha eleitoral. Três derrotas foram demais

CrespoTrio

Crespo, Anselmo e Dini durante reunião no final da tarde no gabinete do prefeito

Os 100 dias de mandato do prefeito Crespo à frente do Poder Executivo de Sorocaba marcam o final da era “Crespinho Paz e Amor” que vem desde a campanha eleitoral. O último desaforo dos vereadores, na manhã de quinta-feira, não foi digerido. Crespo tolerou a não criação de cargos para quem não tinha ensino superior no projeto de reforma administrativa; tolerou a não aprovação do projeto que criava cargos para quem não tinha diploma superior, mas atendia a acordo com o que os vereadores entendiam como aceitável; mas Crespo não tolerou a derrota (ainda em 1º turno, ou seja, ainda pode ser aprovado) no projeto de criação de um cargo de assessor especial na cidade de Brasília. E na tarde de quinta-feira, horas depois da derrota na Câmara, abandonou o estilo de tudo bem, vocês fazem o que querem e eu compreendo.

A primeira decisão foi comunicada antes das seis horas da manhã de hoje ao vereador Anselmo Neto (licenciado para ocupar o cargo de secretário de Relações Institucionais e Assuntos Metropolitanos) dizendo que ele seria exonerado hoje. O que Crespo espera de Anselmo será dito ao vereador no final da tarde de hoje em reunião onde ambos estarão presentes.

Na hora do almoço de hoje, depois que confirmei com três fontes diferentes, anunciei com exclusividade a exoneração de Anselmo Neto durante o programa Delivery, da rádio Ipanema (FM 91,1Mhz) com Marcos Alves. Nessa hora a portaria com sua exoneração já estava sendo providenciada por Hudson Zulini, secretário Chefe de Governo.

Não é para votar e voltar

A primeira compreensão é de que Anselmo está exonerado para votar o projeto da criação do cargo de Brasília favoravelmente ao projeto uma vez que o suplente, JP Miranda, votou contra. Mas apurei que não é. Anselmo volta à Câmara por tempo indeterminado. O que pode ser uma, duas ou três sessões (o que me surpreenderia) ou apenas após o recesso, no segundo semestre, ou nunca mais será secretário.

Não se trata de uma punição a Anselmo que faz um bom trabalho como secretário e nem mesmo a JP que votou contrário ao projeto do prefeito. Trata-se de reforçar sua posição frente aos legisladores. Anselmo e Dini (que seguirá sendo o líder de Crespo) vão trabalhar juntos.

Reuniões: Renato Amary e dupla

Pela manhã, durante bom período, Renato Amary esteve na sala do prefeito Crespo no 6º andar da Prefeitura. Renato Amary me disse que o tema relações com a Câmara não foi tratado pelo prefeito nesse encontro. Ele disse que não se adianta a nenhum assunto, mesmo sabendo que eles estão na ordem do dia, sem que o prefeito peça a sua opinião e que Crespo não quis saber o que ele pensa sobre essa troca de secretários e nem mesmo sobre a criação do cargo em Brasília.

Claro que é inimaginável que isso tenha ocorrido. Renato pode dizer que o tema não apareceu na conversa, mas minha interpretação é de que apareceu, sim.

Não tive acesso ao prefeito para saber dele o que ele tem em mente com essas mudanças e nem sobre o que falou com Renato Amary.

Outra reunião aconteceu há instantes, por volta das 16h, entre Fernando Dini e Anselmo. Também não tenho idéia do que falaram sobre as novidades que vêm pela frente. Nenhum dos dois atendeu minha ligação.

Novo momento

Dez dias depois do 2º turno das eleições municipais, quando a liderança absoluta de Crespo foi ameaçada por Raul Marcelo na pesquisa Ibope/TV Tem, escrevi que “Crespo abandonou a roupagem “paz e amor” que vestia até a divulgação da pesquisa Ibope/TV Tem e voltou a ser espontâneo, mostrando quem de fato é, ou seja, exagerando nas críticas e carregando nos adjetivos para desqualificar o que entende que não é o certo.”

Acredito que o fim do modelo “Crespo paz e amor”, neste momento, será o fim da tolerância com os vereadores. O que isso vai significar na prática obviamente que não sei, mas será perceptível em suas ações em relação aos interesses de cada um dos vereadores.

O fato é que o prefeito já identificou quem é seu aliado, quem não é e define no mais tardar neste final de semana quem está na dúvida e se interessa a ele ter por perto.

Manga e Martinez

O que mais se deve observar é a relação de Crespo com o presidente da Câmara, Rodrigo Manga, e com o vereador Martinez que arregaçou as mangas na primeira hora após o resultado do 1º turno e trabalhou por Crespo. Chegou a se decidir por ser secretário e antes da posse resolveu ficar como vereador. Coube a ele (como mostra a foto abaixo) apaziguar a disputa entre Manga e Dini pela presidência da Câmara no primeiro dia do novo mandato. Neste encontro, Manga teria acertado que ele seria o presidente neste ano e que Dini seria em 2018.

A decisão de Manga de colocar em votação e aprovar para ele ser o presidente por 2 anos, sendo que o novo presidente assumirá em 2019, sem que Crespo tivesse participado dessa discussão, mais o fato de Manga não ter sido parceiro de Crespo na votação do projeto do cargo em Brasília (não com o seu voto, mas como permitiu que a votação tivesse prosseguimento, não retirando de pauta como pediu Dini), no mínimo, azedaram a relação deles.

Agora resta observar

Hilton Antônio Monteiro

Acabo de escrever este texto às 17h10 e recebo a mensagem: oficialmente Anselmo Neto é vereador e não mais secretário confirmando tudo o que eu havia revelado em primeira mão na rádio. Interinamente está nomeado secretário de Relações Institucionais e Assuntos Metropolitanos, Hilton Antônio Monteiro, que era o secretário-adjunto.

Crespo, Anselmo e Dini seguem em reunião no 6ª andar.

Agora resta esperar o pronunciamento oficial do prefeito, que virá via assessoria de comunicação.

 

 

CrespoManga, Martinez, Dini e Crespo quando selaram quem seria o presidente da Câmara em 2017 e 2018, acordo desfeito agora sem que o prefeito tivesse sido consultado