O mundo real não é o virtual

O deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, logo após o início da invasão da Rússia ao território ucraniano viajou à Ucrânia no último dia 28 com Renan Santos, um dos dirigentes do Movimento Brasil Livre, sob o pretexto de acompanhar o conflito e ajudar a resistência.

Se ele tivesse posto uma melancia no pescoço e fosse trabalhar na Assembleia, teria o mesmo efeito!

Em um dos seus relatos sobre o que viu no longínquo país, tornado público na última sexta-feira, ele fez comentários sobre a beleza das ucranianas, da pobreza delas e por essa condição como classificou as ucranianas de fáceis de serem “comidas” pelos homens.

Suas falas tiveram ampla repercussão negativa. “Gravíssimas e inaceitáveis” são adjetivos mais usados para expressar o nojo desse energúmeno.

Chegando ao Brasil, ele confirmou a veracidade dos áudios e justificou que o que falou classificando como “momento de empolgação”. Me lembrei do Monark dizendo que falou o que falou sobre o nazismo porque estava bêbado.

Seguramente esse é o assunto mais comentado nas redes sociais e conversa reais neste final de semana. Todos pedem a cassação do seu mandato na Assembléia Legislativa e, por ser assunto de Estado, e de repercussão internacional, ele deverá ser alvo de investigação do Senado.

Eu, particularmente, espero nos próximos dias pelas reais consequências. Ou seja, mais de 2 milhões de pessoas seguem Arthur do Val, o Mamãe Falei, apenas no YouTube. Continuarão seguindo? Na eleição de 2018, ele obteve mais de 500 mil votos no Estado, sendo que desse total quase 9 mil apenas em Sorocaba. Ele continuará tendo voto? O comportamento do eleitor e do telespectador é o indicativo da verdadeira vergonha sobre o que sente e pensa Arthur do Val. Não se trata do que ele falou, mas de que o que ele falou é a sua essência e, por extensão, a essência de seus 2 milhões de seguidores e eleitores.

Um dos textos de maior repercussão e compartilhamento sobre esse assunto partiu do jornalista Jamil Chade, uma referência na cobertura internacional de conflitos, onde ele fala muitas verdades ao deputado. Mas o que me chamou a atenção em sua carta foi o fato dele dizer que não sabia quem era Arthur do Val. Eu também não. Quando ele recebeu 500 mil votos ficou claro para mim que o mundo virtual está desconectado do real e que a democracia (leis, representações, ações sociais…) se dá no mundo real. Ficou claro o quanto eu ainda estou “preso” ao mundo real e não sabia de um fenômeno como ele que tem tanto seguidores, pessoas que acreditam no que ele fala, no mundo virtual.

Espero, de verdade, que da pior maneira Arthur do Val tenha aprendido essa lição básica sobre o que é viver em sociedade: o mundo real não é o virtual. E que pelo que ele está pagando, que seus seguidores e eleitores também tenham aprendido essa lição.

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