Quando um tapinha não dói

Primeiramente, o tapa dado por Will Smith na cara do apresentador da cerimônia do Oscar, que fez piada com a doença de sua esposa, que perde os pêlos do corpo, inclusive os cabelos.

Agora o tapa que o atacante argentino que defende o São Paulo, Carelli, deu nas mãos de um adolescente, jogando no chão o celular que ele filmava a saída do time após a humilhante derrota para o Palmeiras na final do Paulistão 22.

Em comum, a violência. A abominável violência! Condená-la é o que se espera de um cidadão civilizado, então, quase a unanimidade foi por dizer que esse ato é errado.

No primeiro caso, já se falou de tudo: 1) Jogada de marketing; 2) Machismo onde um homem acha necessário defender uma mulher como se ela não fosse capaz de se defender sozinha; 3) Cavalheirismo, onde um homem defende a honra de sua amada… e tantos outros achismos li e ouvi.

No segundo, de repercussão restrita comparada à primeira, Carelli vem sendo execrado. Assustadoramente, a xenofobia é um dos primeiros argumentos para xingá-lo. Argentino arrogante, outro. Falta de espírito esportivo… e por aí vai até dizerem que era “apenas” um adolescente inocente filmando… Não sejamos hipócritas, não há adolescente inocente. Era um adolescente sozinho (porque estava tendo esse privilégio? Por ser jogador do sub-15 do Palmeiras? Não justifica) numa área restrita à intimidade dos jogadores querendo documentar em seu vídeo os desconsolados humilhados no pós-jogo quando ainda os nervos estão à flor da pele com a finalidade de zoar, ainda mais, com a cara deles. Não era um pedido de autógrafo. O adolescente vestia a camisa do Palmeiras. Foi dura a lição desse jovem, mas não dá pra passar a mão na cabeça dele. Lembrando que Carelli não lhe deixou marcas com seu tapa e muito menos colocou em risco a vida desse adolescente.

Então quer dizer que você, Deda, é favorável à violência? Não. Mas acho que ela é perfeitamente cabível quando cinematográfica e marqueteira como no primeiro caso ou dada num celular, jogando-o ao chão, quando a intimidade desse agressor é invadida.

Passado o calor dos fatos, tanto Will quanto Calleri ocuparam suas redes sociais para se desculparem por seus tapas. E assim restabeleceram na medida do possível os seus lugares no mundo civilizado. Não vejo como hipocrisia essas desculpas, mas como necessárias. Assim como os seus tapinhas.

 

PS – Para os desavisados, além de sãobentista, também sou palmeirense.

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