A tensão da espera

Quando todo amanhecer ficou tenso?

Ao abrir uma a uma as minhas redes sociais para descobrir amigos, amigos de amigos, acometidos pelo Covid19. Internados ou mortos. Uma realidade de todo o mundo.

Morriam centenas de uma vez. Se contaminavam milhares. A conta no Brasil está estratosférica com mais de 665 mil mortes e quase 4 milhões de contaminados. Em Sorocaba mais de 117 mil contaminados e mais de 3 mil mortos

Mesmo assim, primeiramente o governo estadual afrouxou as medidas e agora é a vez do Federal, por decreto, extinguir a pandemia. A Covid agora é endêmica, como são as gripes, sarampo, rubéola, caxumba… A vigilância diminuiu!

Na tarde de hoje, na vastidão da área de alimentação do Tauste, da avenida General Carneiro, apenas eu, entre os consumidores, tinha a máscara no rosto. Ainda bem que atendentes e balconistas, também. De manhã, na academia da ACM do Jardim São Paulo, eu e mais duas ou três pessoas fizemos ginástica mantendo a máscara no rosto.

O medo desapareceu. Da Covid pelo menos.

Então que tensão é essa?

É a da espera.

Há um clima tenso alimentado por 1) Pesquisa eleitoral que mostra a distância de intenções de votos em Lula e Bolsonaro; 2) Pelo resultado da eleição na França onde, embora não eleita, a representante da extrema-direita (que significa não ter empatia pelo semelhante) tenha conseguido algo perto dos 14 milhões de votos ou 41% dos votantes, ou seja, mau presságio para o que vem pela frente; 3) Pela desconfiança na urna eletrônica alimentada pelo ministro da Defesa, comandante das Forças Armadas e Supremo Tribunal Federal; 4) Pela fraternal amizade do presidente e seu amigo delinquente; 5) Pelo preço abusivo dos produtos de consumo do qual o salário não dá mais conta…

O brasileiro está à espera e tenso como só essa condição de espera deixa. É como se uma catástrofe estivesse para acontecer e não fosse possível evitar. E como se a catástrofe não vier a ocorrer, mas já houve o sofrimento por antecipação.

Não importa o vencedor, o estrago está feito. Essa é a verdade.

A dor dessa espera nos mata aos pouquinhos.

A força da imbecilidade, como essa tal da Escola Sem Partido que se reapresenta na pauta de votação da Câmara de Vereadores de Sorocaba pelas assinaturas de 6 parlamentares, ou seja 30% da Casa, nos agride e tira a energia para que seja possível crer em dias de possível convivência.

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