Patinhos atravessam a avenida Washington Luiz na manhã de hoje. E daí?

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Certamente você já viu ou leu que filhotes de patos param o trânsito para atravessar rua, avenida, rodovia. É uma imagem bucólica. São centenas de exemplos no Youtube ou Google.

Na manhã de hoje (ao menos circulou na hora do almoço de hoje em grupos de WhattsApp de Sorocaba) foi a vez de fazer sucesso um vídeo onde 11 patinhos, acompanhados de dois patos adultos, atravessam a avenida Washington Luiz, na altura da bacia de contenção, na Vila Jardini, em Sorocaba.

Por que essa cena chama tanto a atenção?

Por que as pessoas param o trânsito para a travessia dos patinhos?

Por que elas filmam e fotografam e mostram às outras pessoas?

Não creio que haja uma única resposta a todas essas perguntas e muito menos uma resposta correta.

Eu arrisco dizer que todo mundo, de algum modo, se lembra de algum momento da infância quando o pai, a mãe, irmão, tia, avó, professora… nos contaram pela primeira vez a assombrosa aventura de “O Patinho Feio”, uma das maravilhas escritas pelo dinamarquês Hans Christian Andersen, publicado pela primeira vez em 11 de novembro de 1843, sobre um filhote de cisne que foi chocado por uma pata.

Não leu? Não se lembra? Nunca contou ao seu filho? Então, pare tudo, e se entregue a esse livrinho que é muito, mas muito melhor que qualquer filme ou desenho que já tenha sido feito a respeito, inclusive os de Walt Disney.

Sem saber de sua verdadeira identidade, o Patinho Feio (na verdade diferente da família de pato onde nasceu) passa a ser hostilizado pela família e por outras aves. Após muita humilhação decide ir embora e durante essa jornada rumo à descoberta de sua identidade é também humilhado e mal recebido. Após o inverno ele vai nadar no lago quando se reúne com um bando de cisnes e, então, é reconhecido.

Há algo mais atual do que essa realidade: sentir-se diferente e por isso ser humilhado? Ter vontade de ir embora (a jornada por se descobrir)? E a alegria do final feliz (de ser reconhecido)!

A história de O Patinho Feio é a síntese do que é ser humano, seja em família, no ambiente de trabalho, no grupo de amigos, no time esportivo, na igreja… enfim…na sociedade.

Por isso, quando pergunto: e daí que uma família de patinhos atravessou a avenida Washington Luiz hoje cedo? Respondo: aproveite essa cena rara em nossa cidade para fazer essa jornada interior e descobrir-se. Quem sabe não seremos mais felizes e, obviamente, assim faremos os que estão próximos de nós igualmente menos incomodados com as nossas angústias.

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