Novo secretário de Licitação e Contratos foi alvo de investigação na venda do Banespa ao Santander

ZulianiSigilloA Prefeitura de Sorocaba segue fazendo mistério sobre a exoneração de Hudson Zuliani do cargo de secretário de Licitação e Contatos. Braço direito do prefeito Crespo há décadas, seguramente a pessoa de maior confiança do prefeito dentro e fora da prefeitura, Zuliani teve a sua saída do governo publicada no final da tarde de sexta-feira no jornal Município de Sorocaba, órgão de publicação oficial dos atos públicos do Poder Executivo.

Adiantei em postagem anterior que a saída de Zuliani é temporária. Ele viajou aos Estados Unidos, onde foi visitar Menphis, cidade de Elvis Presley, cumprindo um sonho programado há anos, antes da eleição. A viagem estava paga e se imaginava que agora, janeiro, ele já estivesse há um ano no cargo, o que não ocorreu devido a cassação do mandato do prefeito por 42 dias.

E o substituto?

Se é estranha a exoneração do braço direito do prefeito sem qualquer manifestação oficial, é ainda mais estranha a nomeação de um novo titular sem que ele seja apresentado.

Na página oficial da Prefeitura segue como sendo secretário Zuliani.

O novo secretário de Licitação e Contatos da Prefeitura de Sorocaba, João Batista Sigilló Pellegrini, segundo dados públicos, que podem ser acessados via Internet, faz parte de 14 processos judiciais, sendo 11 deles no Estado de São Paulo e mais 3 processos no Brasil.

Desses processos, um deles envolve a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que em 1993 iniciou investigação sobre suspeitas de irregularidades na gestão do Banespa no período de 1990 e 1994, antes da venda do banco paulista para os espanhóis do Santander. O inquérito envolve 49 pessoas e apura “a possível prática de atos irregulares na administração e na gestão” do banco. Entre essas 49, está João Batista Sigillo Pellegrini.

Em reportagem do dia 17 de fevereiro de 1995, a Folha de S. Paulo informava que o Banespa gastava por mês aproximadamente R$ 133 mil só para pagar ex-diretores que ganharam “aposentadoria honorária” —ou salário vitalício. Ao todo, 19 ex-diretores, que não trabalham mais no banco, são beneficiados (…) Entre os beneficiados está João Batista Sigilló Pellegrini, que em 1995 tinha 42 anos e trabalhava para o governo Covas (PSDB), dirigindo o Conjunto Vaz Guimarães, centro esportivo da Secretaria de Esportes. Sua “aposentadoria” – a aspas foi da reportagem – era de R$ 6.261,64.

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