Urbes e Prefeitura podem aprimorar o controle sobre o Coronavírus

Quando estava estacionando o carro, na noite de sexta-feira passada, começou a chover e mesmo assim descemos (minha mulher, minha filha e eu), cruzamos a rua e chegamos à porta da pizzaria. Lá, haviam outras pessoas. Algumas não conseguiram entrar no corredor e ficaram na calçada, se molhando. A moça da pizzaria, se não for o primeiro emprego dela, com certeza é o primeiro dessa natureza, de recepcionar clientes em restaurante. Ela se estranhava com o termômetro digital. E o único pote de álcool em gel não podia ser alcançado por todos, mas ele estava lá. Enfim, houve, sem necessidade, uma aglomeração de pelo menos dez pessoas num corredor de passagem.

De imediato (ao ver o cuidado da funcionária em cumprir o que o seu patrão mandou, que é o que determina o protocolo da Fase Laranja, na qual Sorocaba está incluída nesta epopéia para se evitar a proliferação do Coronavírus) me lembrei que na tarde de sexta-feira decidi voltar de ônibus para casa.

Desci a pé até o Terminal Santo Antônio, a partir da rua Álvaro Soares, e cheguei no guichê. Neste trajeto, vi um senhor vendendo Quiabo, certamente que ele plantou, pois eram tão frescos. Vi uma senhora vendendo “bolo de pote”, que na verdade é um doce dentro de uma vasilha plástica descartável. Vi vendedores de máscara… Enfim, quando cheguei no guichê, havia umas 15 pessoas na minha frente para comprar o bilhete. E dois adolescentes vendiam balas por 2 reais e na negativa eles tentavam enfiar o produto por 1 real. Jovens insistentes demais. Chegaram a intimidar quem pensou em dizer que não queria a bala. Não vi um único Guarda Civil Municipal em todo este trajeto. Tampouco vi algum militar ou fiscal.

Passei o bilhete na catraca, entrei no terminal. Ninguém aferiu a minha temperatura e não havia um único sequer frasco de álcool em gel. Me informei no guichê sobre o ponto do Ipatinga e me dirigi a ele. Já haviam umas 20 pessoas na minha frente. O ônibus saiu com todos os acentos ocupados e com alguns passageiros em pé. Nem na fila e nem para entrar no ônibus havia quem aferisse a temperatura ou algum frasco de álcool em gel.

Puxei conversa com uma moça ao meu lado. Ela disse que sempre usa ônibus e nunca viu ninguém medindo temperatura ou frasco de álcool em gel. Quando o ônibus fez sua primeira curva acentuada, para subir a avenida Eugênio Salerno, a moça já estava dormindo. Dentro do ônibus, todos que estavam em pé ou sentado, tinham fone de ouvido, cara de quem estavam cansados das horas trabalhadas.

Pelo menos não vi ninguém sem máscara, embora a de um senhor estava tão surrada, me pareceu que nunca foi lavada, que fiquei pensando se ainda tinha alguma eficiência ou eficácia contra o vírus.

Desci 40 minutos depois que embarquei dentro do terminal. Em todo este tempo, apenas duas pessoas embarcaram no trajeto e três desceram do ônibus. A maioria seguiu até o ponto final, quase no distrito de George Oeterer.

Penso que a Urbes e Prefeitura podem aprimorar o controle apenas fazendo o que os bares e restaurantes fazem: aferindo a temperatura, oferecendo álcool em gel e se certificando que o cliente está usando máscara. Apesar da vacina (que bênção que ainda existam dirigentes comprometidos com a ciência), não é hora de afrouxar o cuidado. Minha vez na fila, por exemplo, se nada mudar, será em junho, quando vou completar 54 anos de idade. Espero seguir bem até lá. Longe dessa doença que tanto nos maltrata.

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