A realidade bate na nossa cara. É preciso ter vergonha dela

Quinta-feira foi dia de fazer a “compra do mês”, aquela em que são comprados sabonetes, xampu, sabão em pó, água sanitária… macarrão, arroz, feijão, óleo… enfim as coisas que duram e não precisam ser compradas dia sim, dia não.

A surpresa segue sendo tenebrosa. O que custava centavos três meses atrás, hoje custa até quatro vezes mais. Um óleo de soja está 8,90, um de canola 15,45, de milho, 14. Inimagináveis tais preços há alguns meses.

Ir ao supermercado tem sido constrangedor. O momento de passar no caixa assusta pois não se sabe se haverá dinheiro para pagar pelas mesmas coisas que sempre foram compradas, mas que agora sobem de modo sem vergonha.

O supermercado é um não-lugar. É um espaço privado com a democracia de um lugar público, onde qualquer reclamação que se tente fazer chegará no máximo no ouvido de um funcionário tão mal pago como qualquer um que está fazendo a compra. Então, se faz silêncio! Se engole seco. Sufoca-se a raiva pelo assalto legalizado que se vê nas goôndolas.

Essa incerteza de poder ter acesso ao básico, ao mínimo, mesmo trocando seus produtos da marca que você gosta por outra mais em conta, é responsável por sentimento de opressão, incerteza, desesperança e angústia que chegou com o isolamento provocado pela pandemia, mas se desenvolve com a volúpia dos preços que sobem versus a do salário que está estagnado.

Neste cenário, é dolorido ver amigo, em rede social, defendendo o indefensável, ou seja, mostrando números do excelente desempenho da economia brasileira, dos números em azul do balanço da gestão que eles defendem, amam e querem ver continuando.

A realidade bate na nossa cara. É preciso ter vergonha dela.

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