Ainda considero um erro o prefeito eleito “não saber de nada” e se colocar na posição de perseguido. Mas começo a entender que ele talvez tenha alguma razão

mariobastos

Escrevi aqui, em postagem anterior, que se a um político é inadmissível a expressão não sabia, a um prefeito é menos ainda. Não está reservado a um prefeito eleito o direito de não saber. Da mesma forma, se colocar no papel de perseguido, não entendo ser a melhor estratégia, em que pese que a circunstância onde e quando isso ocorreu mereça ser refletida.

Levando em conta que o texto de Crespo em seu Facebook se dizendo perseguido pela imprensa foi escrito por ele e publicado sem que ele trocasse idéia com seus assessores ou conselheiros, fica evidente que não se trata de uma estratégia, mas de uma crença.

E ai fica a reflexão, ele tem razão? Entendo que tem alguma sim.

É importante lembrar que nunca a imprensa tratou de expor a vida dos secretários escolhidos em governos passados e isso não aconteceu com Renato Amary (1996/2004); Vitor Lippi (2005/20012) ou Pannunzio (2013/2016).

Também é importante lembrar que o Brasil mudou a partir das manifestações de junho de 2013 quando jovens foram às ruas pedindo mudanças e a partir dai o país vive numa efervescência em busca do combate à corrupção nos serviços públicos. Aliado a isso, as redes sociais (especialmente o Whattsapp e Facebook) provocaram um novo tipo de comportamento e consciência das pessoas. Apenas estes dois aspectos são suficientes para explicar o motivo desse comportamento da imprensa em relação aos nomes anunciados por Crespo se comparados com os três prefeitos anteriores em 20 anos.

Diante desse quadro, também é possível se levar em conta a versão que circulou pelas redes sociais, sobre as escolhas de Crespo, a partir do que foi publicado pela imprensa tradicional. Tirando a exaustiva circulação de informação a respeito da médica Janayne e sua condenação por improbidade, todas as outras informações não estão na condição de julgadas na justiça. Há muita denúncia e muita informação que não abonam alguns escolhidos por Crespo no âmbito das informações, mas que estão longe de se concretizarem no mundo real, no campo do julgamento.

Eu mesmo cometi exageros, relendo o que escrevi aqui. Um deles envolve Mário Bastos, escolhido por Crespo para a Cidadania. Afirmei que ele é alvo de processos na justiça, acusações de assédio sexual por alunas e foi envolvido em questão com sexo com menor de idade em Guapiara. Hoje Mário Bastos (na foto, à direita) me visitou, acompanhado do futuro secretário de Comunicação, Eloy de Oliveira, e me mostrou Atestado de Antecedentes onde nada consta na justiça que o desabone. Portanto, da forma como aqui escrevi, ultrapassei limites. Mário Bastos também me mostrou outros documentos como a Declaração da Universidade Anhanguera atestando a sua idoneidade e Certificado de Melhor Professor de vários cursos (Administração, Ciências Contábeis e Marketing) numa avaliação de alunos. Ou seja, o que eu havia escrito aqui não é o que o mundo real mostra.

Como disse ao Mário Bastos, reconheço meu exagero e com este texto resgato a honra de quem se sentiu ultrajado por publicação aqui neste blog. Mário Bastos me solicita um pedido formal de desculpas por ofensa infundada à honra da pessoa dele. Com este texto atendo  desejo atender ao pedido dele. O que vale quando está em questão a honra de qualquer cidadão, especialmente o de um agente público, é o que está na lei.

O mesmo erro ocorreu quando afirmei que são dois BOs (Boletins de Ocorrência) contra Fábio Pilão que será secretário de Obras que ameaçou de morte fiscal municipal. O mundo real mostra que se trata de um BO e é contra um terceirizado da Prefeitura (portanto não contra funcionário público), feito por telefone e onde o funcionário deixou expirar o prazo para formalizar qualquer ação contra Pilão o que levou o inquérito policial a ser arquivado. Ou seja, não há nada neste quesito que desabone Pilão. No calor de uma discussão, ainda mais no telefone, todo mundo é passível de cometer exageros.

Quando falei de Alexandre Hugo, que vai para a pasta de Abastecimento, e sua demissão por justa causa da CPFL Piratininga de Energia Elétrica, também deixei no ar que ele está desabonado para o cargo. Ele é alvo de investigações e foi demitido, são fatos. Mas motivos e circunstâncias são igualmente importantes e eu não trouxe à tona em meu texto. Fica também aqui o reconhecimento do meu erro e pedido de desculpas. Repito: O que vale quando está em questão a honra de qualquer cidadão, especialmente o de um agente público, é o que está na lei.

Reconheço esses exageros, mesmo que eles tenham sido ditos para sustentar a tese que de fato acredito: a um político é inadmissível a expressão não sabia, a um prefeito menos ainda. Estarei atento a evitar exageros, mesmo que sejam informações colaterais a um foco maior. Ficam, enfatizo, minhas desculpas a todos.

Agora, retomo o raciocínio inicial e acredito que o prefeito eleito tem de sair dessa estratégia de estar sendo perseguido, em que pese não seja de todo sem propósito que, sozinho, num sábado à tarde, ele tenha tido esta percepção.

Espero ajudar a colocar luz nos fatos e evitar que Crespo alimente essa sua afirmação. Estou convicto que nem eu e muito menos o centenário Cruzeiro do Sul, Jornal Ipanema, Jornal Z Norte ou qualquer outro veículo estão perseguindo Crespo. Ele será alvo de críticas e, na pressa com que algo for produzido, até de exageros. Mas só.

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