Assessor de candidato a prefeito do PRB, vítima de assalto em sua residência, discorda de minha opinião a respeito de como eu trataria assunto tão delicado e expõe porque aconselhou o candidato a divulgar o acontecimento

AssaltoHG

Celso Pelosi, assessor de Hélio Godoy, candidato a prefeito de Sorocaba pelo PRB e vítima de um assalto a sua residência, me escreve para dar o seu ponto de vista a respeito de minha postagem a respeito do tema, onde, em resumo, entendo que um assalto não deveria ser tratado como tema de campanha, mas como tema de foro íntimo, ou seja, não como fato do candidato, mas do cidadão.

Pelosi é jornalista experiente. Foi professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e diretor da TV TEM. Sua assessoria a Hélio Godoy não acontece para esta eleição, mas vem de anos.

A seguir, está a íntegra do ponto de vista de Pelosi sobre minha publicação.

 

Celso Pelosi:

Sem querer polemizar, até porque vivemos numa era em que o que menos importa parece ser a verdade, gostaria de concordar em parte com o artigo (“Assalto filmado a residência de candidato a prefeito de Sorocaba, onde bandidos não percebem câmera ligada, gera desconfiança de que tenha sido golpe de marketing”) e discordar da sua opinião de que o assunto deveria ter sido tratado com discrição e em sigilo.

Entendo que a verdade é sempre melhor que a omissão, ou, pior, que a mentira, que a farsa. Por uma simples razão, sem delongas ou elucubrações: é mais fácil lembrar.

Por isso, não me arrependo de ter ajudado na decisão e aconselhado o candidato – e sobretudo – o cidadão Helio Godoy a divulgar a informação. Até porque as especulações, versões e ilações seriam inevitáveis.

Além do mais, será que, após várias viaturas terem comparecido à residência, a vizinhança ter sido acordada e os policiais capturado e distribuído as imagens aos demais colegas de ronda, poderia alguém acreditar – e aceitar – que o assunto seria mantido em sigilo? Até quando? E com quais consequências? São perguntas que os principais especialistas em gestão de crises fazem. Por isso, recomendam que se fale a verdade, ainda que esta possa ser dura e de imprevisíveis consequências. Isso sem entrarmos nas ponderações filosóficas, espirituais e ideológicas.

E por qual razão um cidadão ou um político, no caso candidato a prefeito, deveriam manter o fato sob o manto do sigilo? Será que é porque é isso que boa parte deles sempre faz, ou seja, ocultar ou, pior, distorcer fatos, alimentando os boatos?

O político que se dispõe a ser avaliado e – mais que isso – a servir à população, precisa ser exemplo: de cidadão que confia e respeita as leis, as instituições e a opinião pública.

A política e as pessoas jamais podem ser peças ou objetos de ações de Marketing. A história tem vários exemplos de produtos construídos pelo marketing político logo destruídos pelos “consumidores”, os eleitores. Bem diferente da postura ética, responsável e de coragem que caracteriza a trajetória e a história de Helio Godoy.

A imaginação é livre e fértil. Todo mundo pode pensar e falar o que quiser. A Constituição garante. Mas, neste caso, como foi apropriadamente dito por você: que ganho eleitoral uma encenação desta complexidade proporcionaria? Neste sentido, concordo com o colega: a divulgação das imagens não poderia mesmo ser – e não foi – feita pela assessoria. Tal incumbência caberia à polícia, às autoridades competentes, caso julgasse oportuno. Fora o que combinamos.

A título de depoimento pessoal, como jornalista e profissional de comunicação com uma longa trajetória nos meios de comunicação e na academia (embora jamais me arvorando imune a falhas e erros), e como partícipe do episódio (apareço nas imagens), testemunho que, longe de peça de marketing, foi algo absolutamente real, retratando, lamentavelmente, um lado perverso e cruel de nossa moderna sociedade. Isso sem falar do desgaste emocional e do enorme prejuízo material (celulares, cartões, computador e arquivos com todo um histórico profissional e pessoal).

Quem já se deparou com tal situação sabe como é. A quem não passou, tomara que não passe.

A abordagem ocorreu no exato momento (como mostram as imagens e o áudio) em que Helio Godoy, visivelmente emocionado, relatava a recomendação que recebera de Dom Estevão (da Abadia de Itaporanga) para ajudar as famílias do sudoeste que escolheram Sorocaba para viver e como conhecera a esposa, formando a sua própria família sorocabana.

Os assaltantes estavam focados em dinheiro e objetos de fácil repasse (carteiras, celulares, joias, aparelhos de TV…).

A quem duvida e prefere ilações, basta acurar um pouco os ouvidos e os olhos para entender o que intencionavam. Mesmo arrancando a extensão do microfone afixado na camisa de Helio, um dos homens (depois chamado de “zé” pelo comparsa, como também se ouve em outro trecho) não percebeu que se tratava de uma gravação e que as câmeras estavam e continuaram ligadas. Por quê não as levaram? Saberemos quando forem presos. Mesmo que não o sejam, basta ver a expressão de espanto de Helio Godoy ao ouvir a abordagem dos assaltantes.

Por quê abandonaram o carro? Outra pergunta que, se presos, responderão. Mas, quantas pessoas – sejam criminosas ou honestas – dominam totalmente o manuseio de carros com câmbio automático?

Por que todos demonstraram calma, a começar pelo Helio? Porque é isso que orientam os especialistas e, de tensos e nervosos, bastava a dupla de assaltantes que entrou na casa. Se havia outros? Diziam eles que sim…

Por fim, para não alongar ainda mais, quem aceitaria participar de um teatrinho em que – depois de levar os reféns para outro cômodo (banheiro) – descuidaria da proteção de sua identidade e apareceria de cara limpa?

Foi um assalto de oportunidade, como opinaram os policiais que atenderam a ocorrência: aproveitaram a calmaria na vizinhança e o entra e sai na casa. Lembrando a expressão usada pelo matutino de Sorocaba dirigido por algum tempo pelo colega Deda: esta é a verdade. E ponto!AssaltoHG

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