Câncer de mama, mulheres e mudanças sociais

Quando for dada a largada para a 7ª edição da Corrida Pink do Bem, domingo, dia 31 de outubro, às 7h30, estará consolidada a entrada de dinheiro para o caixa da Liga Sorocabana de Combate ao Câncer (entidade que há 40 anos reúne voluntárias para a prevenção, suporte e tratamento do câncer de mama e ginecológico em Sorocaba) que neste ano será destinado ao pagamento de biópsias que garantem uma indicação segura ao tipo de quimioterapia que a paciente precisa.

O custo de uma biópsia hoje varia entre R$ 500 e R$ 2,5mil e os R$ 148 mil previsto com a arrecadação da corrida (que deve reunir 1500 participantes que pagaram R$ 99 de inscrição) vão atender as 150 pacientes que são atendidas de forma gratuita e voluntária pela entidade.

Soube dessas informações hoje pela manhã, no programa O Deda Questão da radioweb 365, quando conversei com a atual presidente da Liga, Márcia Rodrigues. Eu conheço a Márcia há 30 anos, ou mais, e admiro sua dedicação ao voluntariado. Uma herança que recebeu do seu pai, Laelso Rodrigues, que em março do ano que vem irá completar 90 anos de idade, um dos homens mais importantes da maçonaria do Brasil, mas também um dos homens públicos que mais contribuiu com o desenvolvimento de Sorocaba ao coordenar a implementação, na década de 1960, da chamada Zona Industrial que atraiu para a cidade empresas que transformaram o município, dando a ele sua vocação metalmecânica.

Márcia lembrou hoje, durante nossa conversa, um pouco dessa história, falou do irmão e da mãe. Falou do trabalho da Liga e do quanto as mudanças sociais no mundo, que levou a mulher ao mercado de trabalho, introduziu a pílula anticoncepcional na dieta feminina, criou a jornada tripla de trabalho para as mulheres, a diminuição no número de mulheres que deram o peito (amamentação) aos bebês… contribuiu para o expressivo aumento no número de casos de câncer de mama desde a última década do século 20 até o dias de hoje.

Márcia também alertou para o represamento do problema do câncer de mama em razão da pandemia de coronavírus, ou seja, as pessoas deixaram de ir ao médico e fazer exames regulares. A consequência disso é a não-identificação precoce de casos de câncer de mama, situação que agrava a doença uma vez que há 95% de chance de cura quando o tumor do câncer de mama é identificado logo no início de sua manifestação.

No bate-papo também falamos do tabu que existia da mulher se tocar, conhecer o próprio corpo, e do trabalho que a Liga desenvolve para educar as mães a explicarem aos seus filhos sobre a importância de conhecer o próprio corpo.

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