Déjà vu em Votorantim

Déjà vu é um galicismo que descreve a reação psicológica da transmissão de ideias de que já se esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo como, por exemplo, um prefeito botando o seu vice para correr da Prefeitura. O termo é uma expressão da língua francesa que significa: “Já visto”. E galicismo, me perdoem o didatismo, é a palavra, expressão ou construção de origem francesa ou o ato de utilizá-la em nossa língua.

Hoje à tarde, vivemos uma verdadeiro déjà vu: o vice-prefeito de Votorantim publicou um vídeo em sua rede social anunciando que a prefeita da cidade lhe pediu para deixar o gabinete, ou seja, a sede do governo da cidade. Rodrigo Krieger, que já foi presidente da OAB da cidade, desde então tem recebido uma avalanche de manifestações de apoio o que inclui a classe de advogados todos, ou seja, não apenas os de Votorantim, mas de cidades da região também. A prefeita, Fabíola Alves, trata o assunto como um corriqueiro problema interno, de nenhum interesse público. Para ela, o vice seguirá sendo vice, então por qual razão chatear o cidadão com “probleminha”.

A verdade é que a história mostra que não é bem assim. Crespo, quando prefeito de Sorocaba, botou sua vice, Jaqueline, para correr da Prefeitura e, como num passe de mágica, transformou a delegada de polícia, que debutava num cargo eletivo, na protagonista política daquela gestão. Tão protagonista que ela quase se elegeu deputada, quase se elegeu prefeita (perdeu no 2º turno) e agora volta a tentar ser eleita deputada.

Não importa a verdade ou a versão sobre o que a prefeita Fabíola estava aguentando para perder a paciência com Krieger a ponto de não suportá-lo mais por perto. O que importa é que Krieger assumiu o papel de vítima, do expulso de casa, do mandado embora e em termos de opinião pública essa é uma super vantagem. Ainda mais onde a comunicação é direta, via rede social, ou seja, Krieger foi rápido ao anunciar que ele foi expulso. A narrativa, portanto, é essa. Se Fabíola tivesse, como manda a primeira regra do marketing, ela dito primeiro: Krieger está me atrapalhando para fazer o melhor a você, votorantinse, certamente o pêndulo da opinião pública estaria para o seu lado.

Mas como há tempo até a próxima eleição, o pêndulo pode se mexer a ponto de no pleito de 2024, quando os votorantinenses vão às urnas novamente para escolher o prefeito, e o eleitor entender que Fabíola fez muito bem em fazer o que fez. Mas, por enquanto, a vantagem é de Krieger. Se ele souber tirar proveito, pode sair como uma nova liderança na política da cidade. Quem sabe uma nova liderança política regional.

A foto que ilustra esta postagem é reprodução da Revista Apevo de 16 de novembro de 2020

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