Deputado disse não quatro vezes ao governador para ser o candidato a prefeito pelo PSDB. Mas foi o último não que marcou a sua vida. Veja o que aconteceu

Questionei o deputado Vitor Lippi na coluna O Deda Questão do Jornal da Ipanema (FM 91,1Mhz) como foi o não que ele disse ao governador Alckmin sobre sua negativa em ser o candidato tucano à prefeitura de Sorocaba. E ele me corrigiu: foram quatro vezes não. O deputado revelou que o governador falou que sua decisão teria consequências, mas não deu detalhes do que o governador disse e a entrevista seguiu o ritmo dela sem que houvesse uma explicação de como foi dizer não.

Mas foi no café, momento habitual em que os jornalista da rádio Ipanema recepcionam os convidados, que tive a chance de ouvir do deputado Vitor Lippi o momento mais marcante dessa sua decisão de dizer não ao governador. Lippi contou que ele e o prefeito Pannunzio foram num domingo de manhã no Palácio dos Bandeirantes, a pedido de Alckmin (notícia que já foi publicada neste blog). Lá falavam de vários temas e claro que um deles foi a eleição em Sorocaba. Lippi contou que estavam na sala e o governador mostrou a disposição dos móveis da sala e disse que ele havia vivido um momento parecido com o que passou o PSDB de Sorocaba para a escolha do candidato. Lippi contou que o então governador Mário Covas havia tido uma discussão severa, acima do tom normal, com uma assessora que havia cobrado ele de concorrer à reeleição. Covas sempre foi contrário à reeleição e havia tomado a decisão de não concorrer. Com a insistência, ele perdeu a paciência com a assessora e disse que ele não faltaria com a palavra. Ela retrucou que concorrer não ia significar isso e o clima esquentou. Esse entrevero correu o Palácio e Alckmin, que era vice-governador e tinha uma sala no andar debaixo de Covas e raramente despachava com ele, ouviu que o clima ficou quente e decidiu pedir audiência com Covas. Quando foi atendido, Alckmin falou ao governador que era direito dele não gostar da reeleição, de entender que essa era uma decisão pessoal, de abdicar do direito de concorrer à reeleição. Mas, disse Alckmin a Covas, existe algo maior que tudo isso, que é o chamado da responsabilidade. Se o senhor não optar pela responsabilidade quem vai estar sentado nesta cadeira será Paulo Maluf e sei que não é isso o que o senhor quer. Então governador, atenda ao chamado da responsabilidade. Enfim, Covas concorrer e foi reeleito.

Contada esta história minha pergunta a Lippi foi: e daí, o que aconteceu? Como o senhor continuou dizendo não ao governador? Lippi me disse que fez cara de paisagem e mudou de assunto. O governador entendeu que seu não era um não mesmo e não tocou mais no assunto.

Lippi entende que ao contrário de Covas ele não está fugindo da responsabilidade ao não querer disputar a eleição. E frisou que não tem nenhum Maluf concorrendo a prefeito em Sorocaba e que ele tem convicção de que João Leandro será eleito prefeito na eleição mais difícil já disputada por um candidato do PSDB em Sorocaba. Antes de ir embora, Lippi revelou que essa história marcou sua vida e que ainda hoje ele sente um friozinho na barriga quando lembra que teve de ser firme. Realmente é difícil dizer não a um líder. E certamente será algo que nunca mais será esquecido.

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