Erro de funcionária expõe no Jornal Nacional ação de deputado federal sorocabano que pediu reembolso de R$ 135,15 pelo consumo de 5 cervejas em viagem nos EUA. Ouvintes do Jornal da Ipanema não perdoam

LippiJN

Uma tecnologia desenvolvida por oito amigos de Minas Gerais que atuam na área de Ciência de Dados criou um robô na Internet para fiscalizar as despesas dos deputados federais brasileiros. Em resumo: A ferramenta cruza informações das notas fiscais apresentadas para reembolso dos parlamentares com dados da Receita Federal, presença em plenário, a localização e as característica do lugar onde a compra foi feita. Com isso, esse robô, chamado Rosie,  descobriu 3.553 casos suspeitos envolvendo a cota parlamentar dos deputados federais de todo o país.

Entre os dados colhidos estão o de um parlamentar que tirou nota de R$ 170 para ser reembolsado de um restaurante onde o quilo da refeição custa R$ 14. Ou seja, teriam sido consumidos 12 kg em um dia. Há também o reembolso de um almoço de R$ 41 feito em São Paulo, apenas 35 minutos depois de o deputado ter discursado em Brasília. E um terceiro exemplo desses mais de 3 mil casos descobertos por Rosie está um reembolso de R$ 135,15 do deputado federal sorocabano Vitor Lippi pela compra de cinco cervejas durante uma viagem à Califórnia, nos Estados Unidos, quando ele se encontrou com o presidente do Facebook. Lippi devolveu o valor e pediu desculpas. “Aproveito para assumir a responsabilidade pelo erro cometido, é de praxe dessa assessoria pedir a glosa de itens não autorizados, como bebidas alcoólicas, mas infelizmente dessa vez não identifiquei o produto, já que estava em outra língua”, alegou o parlamentar em vídeo gravado por ele e distribuído no sábado passado a milhares de sorocabanos através da sua página no facebook e no whattsapp.

E por que ele fez o vídeo no sábado?

Por essa ação de Rosie foi tema de reportagem do Jornal Nacional da TV Globo. O parlamentar sorocabano foi tratado como são tratados todos os outros parlamentares acusados de desvios em casos como o do Mensalão e do Petrolão. A reportagem não diferenciou os crimes e tratou do mesmo modo quem pagou por 5 cervejas, o que é fora da lei, é verdade, e quem desviou milhões em propinas e que graças à Operação Lava-Jato o Brasil está conhecendo.

Tratei do tema na coluna O Deda Questão de hoje no Jornal da Ipanema (FM 91,1Mhz) e muitos ouvintes me criticaram por estar sendo bozinho com Lippi. Foram dezenas de manifestações e todas elas condenando o deputado sorocabano. Ouve quem disse que mais uma vez o mordomo é o culpado pelo crime (no caso a funcionária); outro criticou por ele estar bebendo em serviço; outro ouvinte disse que não há diferença entre roubar um palito ou a floresta inteira; outro ouvinte disse que Lippi deveria ter sido preso uma vez que foi presa uma pessoa por levar um chocolate do supermercado, outra de uma mãe que roubou remédio de uma farmácia… Enfim, levando em conta os ouvintes da coluna na rádio Ipanema, Lippi não foi perdoado. Um outro ouvinte chegou a dizer que o problema não é o dinheiro reembolsado pelo pagamento das cervejas, mas por não ver nada de prático para a comunidade que se resulta dessas viagens de parlamentares em missão oficial para fora do Brasil.

Enfim, quem quiser saber detalhes do projeto dos amigos mineiros sugiro que acesse o site (http://www.otempo.com.br/capa/pol%C3%ADtica/rob%C3%B4-acha-de-almo%C3%A7o-de-12-kg-a-cervejas-pagas-pelo-cidad%C3%A3o-1.1424088) do jornal O Tempo que foi o primeiro a tratar do assunto.

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