Ideologia e a guarita

Quando falei pela primeira vez sobre a instalação da guarita na praça central revelei que continha um forte elemento ideológico no raciocínio do prefeito para assim agir: acatou a sugestão do então presidente do PSL sorocabano (agora ele deixou o comando do partido e passou a assessor o prefeito) para fazer a obra.

Entre o anúncio da guarita e a obra pronta, passadas três semanas, a polícia abriu um inquérito para investigá-la, um advogado moveu uma ação contra a obra e um cidadão registrou um BO (Boletim de Ocorrência) contra a guarita. O tema se tornou o preferido das rodas de conversa do sorocabano. Mesmo assim, apesar de tanto barulho, o prefeito se mantém surdo e a obra está pronta.

Hoje, porém, vejo o quanto essa questão ideológica é forte e, principalmente, essencial para o prefeito. Davi Vieira, ou Davi Bolsonarinho para os íntimos dele, foi quem apresentou a Sorocaba o projeto de sucesso da Extrema-Direita brasileira que culminou com a eleição de Jair Bolsonaro para presidir o Brasil. Hoje ele saiu em defesa da guarita (como ilustra a imagem dessa postagem) e das pessoas que o seguem pinço duas que ajudam a compreender a lógica em torno desse insano (obviamente que para mim) debate sobre a guarita. Carlos Eduardo Souza, assim se posicionou: “Até agora eu não entendi o que o povo tem contra a guarita”, ou seja, ele sabe que a guarita tá lá, vê muita crítica, mas não compreende o debate. A outra leitora é Nan Baccelli. Ela diz: “Fizeram essa obra e eu nem sabia o que era. Mas pela baderna petista nas eleições passadas acho justo!” Ou seja, ela acredita que a guarita vai “proteger” Sorocaba dos petistas. Ou ao menos da baderna petista.

Na contramão desse raciocínio ideológico, está o jornalista Geraldo Bonadio, um dos mais importantes analistas sorocabanos sobre a própria cidade. Pensando sobre o prefeito, sua trajetória passada e projetando a futura, ele afirma: “Só uma pessoa atrapalha o prefeito: ele mesmo e sua incontrolável vontade de tomar sopa fervendo, enrolar-se em problemas miúdos – a ausência de capinação nas praças e no Cemitério da Consolação – e guerrinhas ridículas, como a que trava com a Arquidiocese por conta um posto de vigilância – que poderia facilmente ser instalado num trailer estacionado entre a Banca do Miguel e o Mictório Municipal – ou a questiúncula sobre a área do Aeroclube. Nelas se engajando, reencena o script que o levou, em tempos idos, a perder para si mesmo eleições em que concorreu à Prefeitura”. Ou seja, ele vê o prefeito gastando enorme energia em problemas miúdos. Opinião da qual assino embaixo.

Quem está certo? O prefeito em dar ouvidos à Extrema-Direita que vê na guarita um elemento de combate ao petismo ou as pessoas que tanto o criticam, entre eles a Arquidiocese sorocabana? E certo ou errado de qual ponto de vista? Do cidadão ou da fatia do eleitorado que o prefeito quer abocanhar.

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