Pernas cruzadas e o legado normalizado

Sentei para tomar café no Franz do hipermercado Confiança no começo da tarde desta segunda-feira e  na mesinha da minha frente um homem, aparentemente na faixa dos 55 anos como eu, cruzou as próprias pernas. 

Parece pouco. Mas para quem carrega 30 kg a mais do que o ideal há décadas, como é meu caso, isso é admirável. Ele parece confortável. Sua mensagem é a de alguém com domínio sobre a própria vida. 

Que ilusão!

Ainda mais depois da “grande” notícia de hoje que nos faz saber que Estados Unidos e Europa entrarão em recessão econômica no final deste ano e viverão a pior crise econômica desde o pós-guerra em 2023 e que essa situação vai atingir a China e quando lá chegar vai respingar sobre a produção e emprego no Brasil.

Saber disso não me serve de nada, apenas me conforta que a culpa não é minha. Minha culpa é me manter acima do peso. Talvez seja inconsciente, algo como ter energia para um período onde a carestia trombe comigo. 

No sábado me atrevi a comentar na postagem de uma amiga, o quanto desastrosa é a defesa dela do governo atual. Ela argumentou que a experiência de viver treze anos no PT torna possível saber o que vem pela frente caso Lula ganhe e, por isso, ela prefere manter o atual governo porque os três anos e meio é um período muito pequeno para uma avaliação justa, principalmente pelos problemas causados pela pandemia.

Já tinha visto, lido e ouvido argumentos variados de defesa do atual governo, todos que se resumem no cunho ideológico da preferência, mas falta de tempo para fazer uma análise é a primeira vez. 

Voltei a me concentrar no homem de pernas cruzadas e, quando percebi, elencava mentalmente porque o atual não é opção: começa pela veemente defesa que ele faz de um assumido torturador de gente. Depois o desprezo pela vida, algo evidente nos doentes de Covid19; na luta contra a vacina até chegar no incentivo ao extermínio do povo original (índios). Então penso no aniquilamento da cultura e no desrespeito e desprezo pela educação e ciências. Me indigna a insana luta dele contra as instituições (voto eletrônico, poderes de justiça, adversários políticos…).

Então me lembrei de como é eficiente e eficaz sua máquina de destruir pessoas e reputação. Nesta manhã, enquanto eu tomava a 4° dose da vacina contra a Covid, uma senhora saiu da fila quando descobriu que a vacina era do Dória (sic), ou seja, a Coronavac. “Essa é a do governador que não gosta do presidente, não é boa. Eu quero a da Pfizer”, disse ela. A funcionária argumentou que essa vacina é boa e todos funcionários da saúde tomaram essa… “Não quero a desse (Dória) aí” ela disse e foi embora.  Se as pessoas que defendem a democracia não se indignarem, o legado do atual governo estará normalizado. E isso se resume a aniquilar quem não é igual. Esse é o combate dessa eleição.

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