Segue a CPI que investiga contrato com entidade de presidente assassinado

O médico Roberto Kunimassa Kikawa, 48 anos, foi assassinado no último sábado (10 de novembro), após ter sido confundido com um policial numa tentativa de assalto no bairro Ipiranga, zona sul da capital. Ele é o fundador do Cies Global (Centro de Integração de Educação e Saúde), responsável em Sorocaba pela Tenda da Saúde, atendimento médico complementar ao SUS (Sistema Único de Saúde).

O contrato entre a Prefeitura de Sorocaba e a Cies Global é alvo de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara de Sorocaba, onde denúncias apontam irregularidades no pagamento dos serviços de consultas e exames realizados pela Cies Global na cidade, além dos atendimentos terem sido feitos em uma tenda montada na área da Unidade Básica de Saúde do Jardim São Guilherme sem o alvará da Vigilância Sanitária, apenas com um protocolo de solicitação para funcionamento.

No dia 28 de agosto passado, durante depoimento na CPI na Câmara de Sorocaba, o fundador e o diretor executivo da Cies Global, Roberto Kunimassa Kikawa, defendeu que a entidade realizou integralmente todos os exames contratados e afirmou que não houve cobrança múltipla por exames realizados apenas uma vez. Segundo ele, um mesmo paciente passava por diversos procedimentos, como sedação, consulta médica, pesquisa bacteriológica, entre outros, e para cada etapa é registrado um código – por isso apareceriam nos registros várias vezes o mesmo nome do paciente.

Kikawa disse também que a entidade se sentiu muito prejudicada porque o convênio inicialmente previa recursos de R$ 1,4 milhão para prestação dos serviços, mas posteriormente o valor foi reduzido para cerca de R$ 500 mil. Por isso, segundo o depoente, o plano de trabalho da Cies Global teve que passar por uma readequação para se enquadrar no novo valor. Pelo mesmo motivo Kikawa explicou as dificuldades para contratação de profissionais. “A redução não permitiu ter o número adequado de quais exames seriam realizados. Com isso tivemos dificuldade de realizar a contratação de médicos, pois estava incerta a demanda”, concluiu.

A CPI da Cies Global é presidida por Hudson Pessini (MDB) e tem como integrantes o relator Francisco França (PT) e os membros Fausto Peres (Podemos), Fernanda Garcia (PSOL), Iara Bernardi (PT), Irineu Toledo (PRB), Luis Santos (Pros), Péricles Régis (MDB), Renan Santos (PCdoB) e Vitão do Cachorrão (MDB).

CPI segue

A pedido do promotor Orlando Bastos Filho, do Ministério Público em Sorocaba, a CPI da Cies Global protocolou o relatório parcial dos trabalhos realizados, no 17 de julho. Não há previsão de quando a CPI terá a conclusão final das investigações.

Hudson Pessini informou que a CPI já tinha ouvido o suficiente de Kikawa e não havia a intenção de chama-lo novamente. No momento, a CPI busca provas documentais para o conteúdo do que foi dito nas oitivas com os envolvidos. Documentos solicitados à Cies Global aguardam determinação da justiça para serem entregues aos integrantes da CPI.

Empreendedor premiado

O vereador Luís Santos foi quem aproximou a Cies Global da Prefeitura de Sorocaba e eu, no início da tarde domingo, acabei por lhe dar a notícia da trágica morte de Kikawa. A reação de Luís Santos foi de espanto e dor: “Meu Deus! Dor de uma perda irreparável pelo que ele representava como amigo e empreendedor social”. Vale lembrar que o modelo de operação da Cies Global, adaptando centros médicos avançados em tendas ou caminhões, rendeu a Kikawa o Prêmio Empreendedor Social 2010, realizado pela Fundação Schwab em parceria com a Folha de S.Paulo.

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