Somos suprapartidários. Não coloque todos no mesmo saco

Um erro meu na postagem de ontem, de atribuir a membros do PT e PSOL os organizadores da manifestação de abraço simbólico na extinta Oficina Cultural Grande Otelo, que irá a leilão no dia 27 de outubro salvo alguma decisão da justiça ou retrocesso do governo do Estado, externou um sentimento que desconhecia das pessoas ligadas ao movimento artístico de Sorocaba: o de ojeriza ao PT/PSOL. As manifestações dos integrantes no blog ou no facebook do blog dão essa dimensão. A manifestação de uma ativista solitária, que reproduzo abaixo, e do coletivo Fopecs (Fórum Permanente de Culturas de Sorocaba), que também reproduzo a seguir, não deixam dúvida sobre este sentimento. Como me pedido, segue abaixo a íntegra das manifestações:

Íntegra do Fopecs

No dia 13 de Setembro, no portal Deda Questão, o Fórum Permanente de Culturas de Sorocaba (FOPECS) foi identificado como “movimento ligado ao PT e PSOL”, classificação que causou estranhamento e incômodo em membros do mesmo.

Encontramos então, no citado momento, uma oportunidade para abrir diálogo sobre esta e outras questões que orbitaram a última ação do dia 11 de Setembro, em face do anúncio de venda do prédio do Fórum Velho no qual funcionou por décadas a Oficina Cultural Grande Otelo. O FOPECS já se reuniu inúmeras vezes com atores dos mais diversos espectros políticos da cidade de Sorocaba quando o assunto é construir políticas públicas concretas para a mesma; foi assim na luta pela permanência da LINC, pela manutenção da pasta de Cultura, para a discussão e execução da Lei Aldir Blanc em meio à pandemia, dentre tantas outras lutas que, juntamente, com outros Fóruns da cidade, o Conselho Municipal de Cultura (antes da reformulação da mesa diretora) e mesmo com artistas independentes sempre primou o diálogo. Mesmo sempre incentivando o diálogo e discussões a respeito de cultura em nossa cidade, o FOPECS nunca foi ouvido de forma completa; as decisões nunca couberam aos nossos membros e sim ao poder público. No passado fomos ouvidos parcialmente durante a elaboração do Plano Municipal de Cultura; podemos enunerar essa como a única ocasião em que nossas vozes e reivindicações foram realmente levados em conta.

Sendo assim, identificar o FOPECS como “movimento ligado ao PT e PSOL”, ou nos atribuindo culpa pelo descaso com a cultura em Sorocaba demonstra desconhecimento e uma redução dos interesses e das motivações do Fórum. O FOPECS é e sempre será suprapartidário e sempre manterá diálogo com todos os partidos ou pessoas da população que estejam interessadas em discutir a cultura na nossa cidade. Nossas lutas são por políticas públicas de cultura e temos estado desde nosso surgimento buscando o ideal para nossa classe, o qual acreditamos não ser a venda do prédio e sim sua reforma e manutenção para uso 100% da cultura.

Portanto, não podemos também fugir ao que acreditamos e apoiar que um prédio histórico seja vendido: a responsabilidade é sim do poder público que se omite de suas responsabilidades.

No que diz respeito ao ato de 11 de Setembro, consideramos importante identificar o fato de que a venda do prédio físico comoveu, surpreendentemente, uma parte da base política que sucateou e precarizou o funcionamento das Oficinas Culturais na última década e que não priorizou as políticas públicas de cultura no município. Apesar das críticas que temos ao governo atual e a anteriores, sabemos que a democracia é construída no diálogo e no debate. Sendo assim, convidamos todos para estarem na manifestação incluindo vereadores e prefeitura para que iniciássemos uma conversa.

Importante também identificar que a luta não é somente pela manutenção do prédio físico do antigo Fórum, mas pelo infundado descaso com a cultura e os patrimônios públicos, históricos, ambientais, paisagísticos e artísticos da cidade de Sorocaba; seja em sua dimensão simbólica ou em sua dimensão econômica, o que vivemos é sem precedentes. Esperamos que a comoção midiática e das figuras políticas também se posicionem pressionando o governo municipal a abandonar a política de desamparo vigente, colocando assim a cultura na lei de Diretrizes orçamentárias, respeitando e cumprindo a Lei do Plano de Cultura de Sorocaba e a progressão exigida pela lei.

Este texto foi uma construção coletiva do Fórum Permanente de Culturas de Sorocaba.

Não me coloque no mesmo saco

Sou Denise De Camargo e faço parte da Sociedade Civil, não sou de partido, sindicato ou coletivos. Faço dança afro e integrei um grupo de Afoxe . Eu no dia do ato (11/09), dei uma entrevista ao jornalista Reinaldo Galhardo justamente denunciando a presença de políticos ali, que fizeram um palanque eleitoral, principalmente o Vitor Lippi cujo qual o partido PSDB está a 30 anos no governo do Estado, e em Sorocaba não é diferente. As últimas gestões foram PSDB e de seus apadrinhados. Renato Amary quando prefeito cortou verbas da cultura por um todo. Não tivemos Carnaval por anos por exemplo, entre inúmeros outros desmonte na pasta cultural. No Governo Crespo também tivemos o desmonte por um todo e a Cultura mais uma vez sofreu com isso com “desvios” e inúmeros esquemas aí mostrados na operação Casa de Papel. Então, diante disso, eu como munícipe nascida e criada nessa cidade, me sinto no dever de lutar por um prédio histórico com a Oficina que leva o nome de um importante ator negro Grande Otelo que venceu inúmeras barreiras e lutou pela cultura brasileira. Enfim esse é meu desabafo. Agradeço e bom dia.

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