Ditadura militar no Brasil deixou a economia num desastre absoluto

Quero retomar hoje o tema e argumentos de minha postagem de dois dias atrás – “O poder escraviza, é uma tentação que seduz” (http://odedaquestao.com.br/o-poder-escraviza-e-uma-tentacao-que-seduz/) –, de ser contrário a volta da ditadura militar no Brasil, um sentimento crescente entre a população sorocabana e do Brasil de um modo geral, a partir da palestra do jornalista Carlos Alberto Sardenberg na manhã de hoje em Sorocaba.

Ele veio a Sorocaba a convite da Associação Comercial de Sorocaba que encerrou na manhã de hoje o ciclo deste ano do seu projeto Café da Manhã de Negócios – evento realizado mensalmente e tem o objetivo de promover a aproximação entre os empresários de Sorocaba e região, possibilitando o networking e futuros negócios por meio de palestras, dinâmicas de apresentação, técnicas de relacionamento e aprimoramento de suas atividades.

Em 2019 foram conversas com personalidades importantes da vida e história de Sorocaba que contaram um pouco de sua história, da forma de gestão, da sucessão e segredos do sucesso. Entre as pessoas que participaram, estiveram Cláudio Costa (McDonald’s), José de Souza (Padaria Real), Luiz Reze (Grupo Abrão Reze), Flávio Amary (Renato Amary Empreendimentos), José Santigo (Automec), Mano Júlio (Júlio & Júlio) e tantos outros.

Por iniciativa do presidente da Associação Comercial, Sérgio Reze, o fechamento do ciclo, na manhã de hoje, coube ao jornalista Carlos Alberto Sardenberg (comentarista econômico dos programas noticiosos da Rádio CBN, do Jornal das Dez e do Em Pauta na GloboNews, do Jornal da Globo e colunista do jornal O Globo). Ele abordou o tema “Política x Economia – Como retomar o crescimento”, no auditório do Banco de Olhos de Sorocaba, Sardenberg traçou um panorama do atual momento pelo qual passa o Brasil numa retrospectiva da última década.

Sardenberg foi didático sobre o que classificou de desastre econômico da era Dilma, explicando as razões do ineditismo do país ter enfrentado simultaneamente a recessão com inflação; foi bastante didático também ao explicar o que significou e ainda significa a Operação Lava-Jato ao revelar os meandros da corrupção no sistema público; foi humorado sobre as prisões de Lula. Ótimo orador, levou o público a rir com críticas a Lula e também a Bolsonoro. E encheu esperanças a todos os presentes ao defender as medidas que estão sendo adotadas pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes em consonância com a maturidade política do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, e do Senado, Tasso Jereissatti. Mais que isso, explicou os motivos pelos quais tais medidas, as mais liberais na história do Brasil, tendem a levar o Brasil a um patamar de desenvolvimento jamais visto.

Mas, dialogando com uma postagem que fiz aqui nesta semana, destaco no título desta minha postagem, a resposta que o palestrante Sardenberg, na manhã de hoje, deu à primeira pergunta feita por um membro da plateia. É uma resposta que enriquece, dessa vez do ponto de vista econômico, um ponto de vista do qual jamais pensei em abordar em minha argumentação, onde me concentrei nas questões humanísticas, culturais e humanitárias, motivos para ninguém desejar ou aprovar a volta da ditadura militar no Brasil. Na minha postagem, de dois dias atrás, afirmava que é notório o crescente número de pessoas crentes na ditadura militar como forma de resolver o problema do Brasil. A primeira pergunta da plateia no evento de hoje, primeira pergunta, de um pequeno empresário, apenas comprova o meu sentimento. Veja o que ele questiona. Em seguida o argumento de Sardenberg. E tire sua conclusão.

PERGUNTA: Nós sofremos uma ditadura branca, da famosa caneta das autoridades desonestas desde quando o PT assumiu o governo, na sua opinião se o Brasil vier a ter uma intervenção um pouco mais dura das Forças Armadas, ou de quem tiver a coragem (para arrumar a casa), com tempo marcado para entrar e sair, nós (o Brasil) ficaríamos mal- vistos no mundo?

RESPOSTA: Certamente seria muito, muito ruim. Seria uma atitude muito mal vista. O mundo não tolera mais este tipo de desrespeito à democracia. O respeito à democracia e às regras são necessárias por dois motivos: 1º) É um direito humano da pessoa o de votar e de ser votado, o de ser livre para se manifestar, para ter opinião; 2º) a história das ditaduras militares no Brasil é uma história de desastres. É importante lembrar que o último governo militar caiu entregando o Brasil numa recessão econômica brutal, fora que foi um governo estatizante, gastou o dinheiro onde não precisava, tendo um desempenho econômico muito ruim. Portanto, sem contar a questão da violação dos direitos humanos, que não é o tema da nossa conversa aqui, estou focando apenas no lado econômico, o fato é que o desempenho da economia do Brasil no regime militar foi muito atrasado: o governo militar não impulsionou a indústria nacional, que era o objetivo; saiu de cena sem deixar uma indústria nuclear, que era o objetivo do governo Geisel; e sem criar uma infraestrutura adequada… enfim, o regime militar deixou a economia num desastre absoluto. É um equívoco achar que as ditaduras vão resolver problemas que devem ser resolvidos com debates, conversar, negociação.

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