Cadê a água da represa?

O fato é evidente e essas duas fotografias, ambas tiradas no dia 19 de maio, uma em 2019 e outra ontem, 2022, mostram ele: o nível de água na represa de Itupararanga, responsável pelo abastecimento de água em 80% das torneiras dos lares e indústrias sorocabanos, diminuiu substancialmente em três exatos anos. 

Não vejo a imprensa, e muito menos os influenciadores de redes sociais, debatendo o motivo desse fato. Repito, fato. Já é acontecimento. É a realidade. Não se trata de opinião e muito menos de manifestação “comunista”. Apenas, fato.

Em 2019, ano em que a represa está mais cheia que hoje, houve rodízio no abastecimento em março e depois em novembro. Agora, que está mais baixa, será necessário rodízio? Em 2019 não havia, como há agora, a ETA (Estação de Tratamento de Água) do Vitória Régia que capta água diretamente do rio, ou seja, não apenas da represa. A ETA aguenta manter o abastecimento sem a necessidade do rodízio? 

A água “sumiu”, fato. Por quê? Aumento do seu uso? Se sim, por quem? População ou CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), que é a dona da represa e faz outorga para abastecimento dos municípios, que estão consumindo mais? Falta de chuva, a natureza enviou menos água para encher a represa? A água da represa está sendo “roubada” para irrigar plantações do agronegócio que avançou na região? 

O Saae, autarquia da prefeitura, a Câmara Municipal, a CBA, o Comitê de Bacias, o Ministério Público (o promotor recebeu “autorização especial” para concorrer à deputado) fazem estranho silêncio… Claro que quando a população abrir a torneira e “sair” ar e ela berrar, tão alto que a imprensa e influenciadores não conseguirão ignorar, algum rodízio será proposto e essa mesma população responsabilizada. Depois de São Pedro, claro! Esse será o primeiro a ser culpado.

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