Concurso da Câmara é problema político. Não, técnico

Esse caso do concurso público da Câmara de Vereadores de Sorocaba, onde questões da prova realizada aqui no domingo passado já haviam sido usadas num concurso público do Estado do Maranhão, fazem lembrar um velho ditado bastante usado em política: “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

Esse ditado surgiu na Grécia Antiga, o berço da Democracia, onde embora nada tivesse acontecido entre Publius e Pompeia, o imperador César justificou a posição que tomou em relação a esposa dele e outro homem dizendo: “A mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita”, no que deu origem ao famoso provérbio: “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

Vendo há instantes a entrevista do presidente da Câmara de Vereadores, Gervino Gonçalves, o Cláudio do Sorocaba 1, concedida ao jornalista Fábio Jammall do portal Porquê, onde ele diz que todo o processo do concurso é tratado por uma comissão (um ente que até o problema não havia surgido no processo, tanto que apenas Cláudio assina as páginas do edital do concurso). Que ele, enquanto presidente, não faz parte do processo. Que a Câmara não gastou nada com o concurso que foi vencido pela empresa que apresentou o menor custo, ou seja, zero para a Câmara, sendo o lucro da empresa obtido pelas inscrições dos mais de 20 mil candidatos, entre esses este réles escriba.

Durante a entrevista, o presidente da Câmara tratou do problema como sendo técnico, quando ele é um problema político. Pode até ter sido criado por um problema técnico, mas a sua consequência é política, ou seja, se não for cancelado, sempre ficará a pecha da desconfiança. Para resolver, na entrevista, o presidente deveria de imediato ter chamado a responsabilidade e ter dito: o concurso está cancelado. E qual o argumento? O da mulher de César, ou seja, o exemplo do berço da democracia. Espero que essa seja a decisão a vir a ser tomada pela transparência de todo o processo. Vai que ao acaso alguém tenha ouvido que para se dar bem aqui em Sorocaba bastava estudar o concurso do Maranhão… Não sei se isso aconteceu, mas vai que tenha acontecido. Eu me dei mal no concurso, um desempenho pífio, já disse isso na postagem de ontem (fui bem apenas nas questões específicas), mas manteria a mesma opinião mesmo se eu tivesse ido muito bem no concurso todo. Não tenho como provar isso, mas é o que mostra minha história profissional.

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