Crespo se vende como monge monástico

Crespo concedeu entrevista ao vivo na manhã de hoje nas rádios Cruzeiro (FM 92,3) e Ipanema (FM 91,1) pela primeira vez desde que teve seu mandato cassado pelos vereadores no dia 3 de agosto.

Ele explicou que não tinha falado antes sobre a perda do mandato por orientação de seu advogado de defesa, Márcio Leme.

Em ambas as entrevistas, Crespo teve o mesmo tom de voz que, vou interpretar, como conciliador.

Confesso que se um ET tivesse descido hoje em Sorocaba e tivesse ligado o rádio às 7h15 e depois às 9h15 e ouvido as duas conversas com Crespo teria imaginado um homem absolutamente injustiçado por 16 vereadores, uma juíza de 1ª instância e um desembargador de 2º grau.

Pedi ajuda a um amigo: Traduza para mim essas entrevistas matinais. E ele foi curto e grosso: Monge Crespo.

Um monge é uma pessoa que vive fora da sociedade… Um monge monástico é aquele que escolhe um modo de vida isolado, despojado de si mesmo.

Foi exatamente isso o que senti. Um Crespo cuja a expressão em inglês low profile melhor o traduz (alguém que procura não chamar a atenção, discreto, modesto, comedido…).

Ou seja, tudo o que Crespo não foi enquanto esteve no cargo de prefeito.

E não lhe faltou aviso.

No dia 23 de dezembro de 2018, um ex-secretário da Prefeitura de Sorocaba chegou ao 6º andar e se deparou com Tatiane Polis. No primeiro momento achou que se tratava de visita de cortesia, afinal ela deixou amigos por lá. Perguntou à secretária e então soube que Tati iniciava naquele dia o trabalho de voluntária.

Esse secretário (depois outros secretários, depois vereadores, depois jornalistas) foi ao prefeito e disse: prefeito, isso vai dar problema. E então ouviu uma tese jurídica bastante bem fundamentada e baseada na Constituição de que ele não estava fazendo nada de errado. O secretário então lhe disse: prefeito, tese jurídica a gente discute no meio acadêmico, eu estou lhe dizendo que a presença dessa moça, pelo histórico de sua cassação (a segunda ainda não havia ocorrido) vai lhe trazer problemas políticos.

Esse secretário e pelo menos outros cinco secretários e assessores foram unânimes em me dizer: Crespo é muito inteligente, mas muito mais teimoso. Quando ele coloca uma coisa na cabeça ninguém muda. No começo a esposa dele, a Lilian, ainda era nossa aliada e dizia que a presença da Tati iria lhe trazer problema, me contou o ex-secretário. Depois ela acabou aceitando devido a insistência do prefeito.

O restante da história é o que todo mundo sabe. Os vereadores, politicamente, tiraram o cargo de prefeito de Crespo. A justiça disse que não cuida de política.

Às rádios Cruzeiro e Ipanema, Crespo disse crer que volta ao cargo após decisão da 1ª Turma do Tribunal de Justiça que, ele imagina, vai ocorrer dentro de no máximo 90 dias. Ele repetiu também nas duas entrevistas que “se pudesse, faria diferente”, admitiu ter cometido erros (“Um dos maiores erros ou falhas que eu tenha cometido foi ser sincero demais, falar demais, ser transparente demais, na vida política isso não é comum”. “Se eu sou bobo fazendo a coisa certa, prefiro ser assim do que fazer o contrário”), disse ter ficado decepcionado com votos a favor de sua cassação (“Não falando nomes, mas me decepcionei com muitas pessoas em que eu acreditava antes. Isso faz parte da política maior, da dinâmica. Fui honesto e essa honestidade é uma coisa que não deve vir do discurso. E como prova eu tenho meu passado político”). Disse muito mais. Juntas, as duas entrevistas, nas duas emissoras, tem mais de 3 horas.

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