Entendendo a lógica dos votos dos três deputados sorocabanos

De acordo com a Constituição Federal do Brasil de 1988, o deputado federal é o representante nacional popular, eleito por voto direto, na Câmara tendo como principais atribuições a tarefa de legislar e fiscalizar a atuação e as medidas do governo federal.

Em tese, é uma tarefa simples.

Mas do mesmo modo que existem Ns maneiras para se chegar de Sorocaba a São Paulo (embora a mais óbvia seja pela rodovia Castello Branco), também existem Ns maneiras de um deputado votar, articular, se juntar com o objetivo der atender o cidadão.

Falo isso tudo para entender os votos dos três deputados federais residentes em Sorocaba (Vitor Lippi, Jefferson Campos e Capitão Derrite) na aprovação do texto-base da PEC dos Precatórios (Proposta de Emenda à Constituição 23/21, do Poder Executivo), chamada entre os próprios parlamentares de “PEC do calote dos precatórios”, por permitir que o governo federal não honre suas dívidas com pessoas físicas e empresas.

Primeiramente é entender motivo de o governo desejar dar este calote. A resposta é: o dinheiro que seria usado para pagar dívidas com alguns cidadãos tem a promessa de vir a ser usado no programa chamado de “Auxílio Brasil” uma vez que Bolsonaro acabou com o programa “Bolsa Família” que durou os últimos 18 anos.

Ao entender isso, é necessário dar resposta a seguinte pergunta: Por que Bolsonaro acabou com o “Bolsa Família”? A resposta é: Porque esse nome “Bolsa Família”, que é a ajuda financeira às famílias mais miseráveis, está associado ao PT e a Lula que foram quem implementou este programa. E Bolsonaro entende que manter esse nome, na próxima eleição, seguirá ajudando Lula a ter votos e não ele. Para inverter essa lógica, Bolsonaro acabou com o “Bolsa Família” e criou o “Auxílio Brasil”, ou seja, o governo seguirá dando dinheiro aos mais miseráveis, porém Bolsonaro tem a esperança que esse povo ajudado não credite essa ajuda a Lula, mas a ele.

Como entender a lógica por trás da “PEC do calote dos precatórios” ajuda a entender o voto dos três deputados sorocabanos? Primeiramente, é importante entender que Lippi, Jefferson e Derrite desejam que o governo continue ajudando com dinheiro as pessoas. Em 18 anos do programa, se ele ainda é necessário, é porque as pessoas ainda não conseguem se sustentar, ou seja, as pessoas continuam precisando a receber o peixe porque não conseguem ainda pescá-lo. Entendendo isso, é preciso ver que os dois que votaram a favor da “PEC do calote dos precatórios”, Jefferson e Derrite, são bolsonaristas. Jefferson indicou Roberto Freitas (que foi candidato a vice-prefeita na chapa de Jaqueline Coutinho na última eleição) para importante cargo que ocupa no Ministério de Ciência e Tecnologia. Derrite se elegeu na esteira do “momento” Bolsonaro de 2018 quando milhares de parlamentares também se beneficiaram da lógica e sentimento daquele momento. Lippi, que votou contra, é do PSDB que busca ser a terceira via da eleição de 22, hoje polarizada entre Lula e Bolsonaro, portanto, votar a favor de Bolsonaro seria atrapalhar o caminho de seu partido.

Por fim, é preciso entender que embora no fim os três deputados federais residentes em Sorocaba (Vitor Lippi, Jefferson Campos e Capitão Derrite) sejam os mesmos, os meios usados por eles são diferentes, mas na prática eles se comportam do mesmo modo, ou seja, o importante é que antes do cidadão, o governante de plantão é quem precisa se dar bem para que ele se dê bem e, se isso ocorrer de modo farto, para somente então ele poder ser “o  representante nacional popular tendo como principais atribuições a tarefa de legislar e fiscalizar a atuação e as medidas do governo federal” como diz a Constituição vigente.

Como eu disse, “existem Ns maneiras para se chegar de Sorocaba a São Paulo”. Isso quer dizer o seguinte: em 2022, há Ns maneira do seu voto vir a te beneficiar, você só precisa entender o que fazer, escolher bem em quem votar e exigir o retorno do seu investimento (voto). Se você (digo a maioria do eleitor de um modo em geral) nem se lembra em quem votou, eles (os eleitos) seguirão votando nas madrugadas do Congresso Nacional do jeito que desejam, comprometidos com o governo de plantão ou o vindouro, e não com você.

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