Filha de vice-provedor da Irmandade Santa Casa rompe silêncio, faz defesa emocionante do pai e pede que não o julguem pela imagem nua e crua da prisão, mas pelos fatos por trás dela. Vale a pena entender esse ponto de vista

SantaCasa

Cíntia Soares, filha do Ademir Soares, filha do vice-provedor da Irmandade Santa Casa, que segue preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória de Sorocaba desde a última segunda-feira, faz uma apaixonada e emocionante defesa do pai. O caso Santa Casa começou em 2013 quando a Prefeitura de Sorocaba requisitou o hospital e denunciou que dados de auditoria indicavam o “sumiço” de R$ 50 milhões. O provedor José Antônio Fasiaben está no olho do furacão há mais de dois anos e sempre preferiu o silêncio. Fasiaben já foi indiciado em 3 inquéritos e um quarto segue em aberto. E no dia do aniversário de Sorocaba, a surpresa, com um quinto inquérito esse de investigação de que mesmo com os indiciamentos, seguia a dilapidação do patrimônio da irmandade e do hospital. E por causa disso, o juiz Jaime Walmer de Freitas concedeu o pedido de prisão preventiva feito pela Polícia Civil. A imagem de Fasiaben de cabelo raspado e roupa de presidiário despertou a atenção de muita gente e foi o recorde de acesso a este blog em sua página no Facebook chegando ao alcance, segundo dados dos Google, de 37.158 publicações. Como sempre, reforço que o espaço aqui, no Jornal Ipanema (FM 91,1Mhz) e na ITV (Cnal 24 da NET) está aberto a manifestação de quem desejar. Por isso, depois de ter lido na rádio hoje pela manhã, publico aqui a manifestação da filha do vice-provedor. Vale a pena ler e entender o ponto de vista dela.

 

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Aqui, do buraco mais fundo que alguém pode chegar, da destruição, dor, humilhação maior que alguém pode ser submetido – Eu vou escrever!

Com coragem, contrariar quem discorda e acha que o melhor era não se manifestar, calar. Não dá!

Existem milhões de fatos por trás das imagens mostradas, que tem um único objetivo: oferecer circo à população, para que se contentem e assim sintam-se satisfeitos com o espetáculo.

Obviamente que isto conforta a situação de muitos responsáveis e ao mesmo tempo torna heróis vários outros.

Meu irmão e eu procuramos repórteres que estavam na delegacia para apontar-lhes os bastidores desta “festa de aniversário da cidade”. Eles mal olharam na nossa cara, pouco se interessaram em ouvir, mesmo nós solicitando que eles tivessem uma postura mais investigativa sobre a condução desta operação. Estavam apenas focados no momento em que conseguiriam filmar os “prisioneiros”, que agora estavam uniformizados, algemados e de cabeça raspada.

Como isto pode acontecer com alguém que não tem NENHUM processo contra si? Não é réu em nada! Nunca foi chamado a depor, nem intimado – o que faria com a maior boa vontade.

Figura sim nos papéis como vice-provedor, porém, sua atividade principal nunca foi essa. Convidado a auxiliar com seu conhecimento, sabedoria e técnica em administração, entrou há alguns anos para a diretoria da Irmandade posteriormente na diretoria do plano de saúde, com a intenção de auxiliar como um serviço voluntário que prestava, como faz em diversas outras associações.

As coisas lá eram bem complicadas, a falta de dinheiro da saúde pública, um mal que afeta o Brasil todo. Por diversas vezes pediu socorro aos prefeitos, informando a situação caótica em que aquilo se encontrava.

Por milhões de vezes nós familiares imploramos para que se retirasse, do quanto aquela confusão que lá existia poderia lhe prejudicar pessoalmente, principalmente por ele ser bem sucedido profissionalmente, ter muitos bens adquiridos com todo seu trabalho e de sua esposa.

Porém, devido à sua integridade, achava que agora não era a hora de se retirar e sim explicar tudo que sabia, mostrar os documentos que tinha conhecimento e muito menos abandonar os outro diretores / amigos de anos que também enfrentavam esta situação. Mantinha-se firme no compromisso que assumiu. Isso muito me entristecia, eu não concordava, discutíamos, mas a escolha era dele.

É claro que tem de responder pelos atos de sua gestão.

O que faria com a melhor das intenções e boa vontade, se assim fosse solicitado – como o fez na CPI da Santa Casa em setembro do ano passado, quando foi chamado. Foi lá prontamente e disse tudo o que sabia. Nunca apresentou nenhuma resistência.

Quem o conhece pessoalmente sabe da sua “pão-durice”, onde não desperdiça nada! Nada! Briga com seus mais de 70 funcionários se encontra um clips no chão, se percebe um verso de papel em branco no lixo, que poderia ser usado como rascunho.

Aí sim, é sua atividade profissional, onde entrou aos 9 anos servindo café e mais tarde tornou-se um dos sócios-proprietários. Trabalha das 6h30 da manhã até no mínimo às 23h, o que presenciei minha vida toda. Até aos sábados e domingos, seu trabalho, seu grande amor. Graças ao seu incansável trabalho construiu seu patrimônio.

Embaixo do seu chuveiro tem um balde para armazenar aquela água fria que sai antes da água quente chegar, sabe? Ele tem um balde lá no box!! E depois usa esta água na descarga, e assim economiza. Quem de nós faz isto? Para uma pessoa que se preocupa assim em não desperdiçar nada, cada centavo é valioso. O que é completamente contraditório para alguém cujo dinheiro viesse fácil, com certeza isto não seria uma preocupação.

Agora, se nos contentarmos com as imagens que estão nos oferecendo, sinto muito pelo rumo que toma nossa cidade e a forma que as coisas são “solucionadas”. As eleições estão aí!

Volto a repetir: como que alguém que nunca foi intimado, e que caso fosse chamado iria prontamente, alguém que nunca teve nenhum processo contra si – nada! – acorda algemado, uniformizado e de cabeça raspada?

Como? Para que serve isto? Mostrar o quê? A quem beneficia esta repercussão? Gostaria que todos pensassem.

E mais do que isto… eu precisava dizer e expressar minha indignação.

Eu sou a Cíntia Soares, filha do Ademir, que desde os 13 anos já o acompanhava ao escritório para aprender o que era trabalhar, e irmã do Junior, que muitas vezes chorando, deixou de brincar com os amigos porque tinha de ir trabalhar como office boy a mando de nosso pai.

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