Meu agradecimento a Miriam Keller, mulher discreta e de forte influencia silenciosa no caráter de gerações de jornalistas

Morreu na manhã de hoje (12/05), será velada a partir das 18h na Ofebas e será enterrada no Cemitério Pax nesta sexta-feira (13/05), às 9h, Mírian José Lourdes Keller. Ela tinha 80 anos de idade e foi vítima de complicações decorrentes de um quadro de diverticulite. Há cerca de um mês me encontrei com ela e sua companheira Cida almoçando no restaurante do supermercado Coop na rua Padre Madureira. Há um bom tempo não nos víamos. Demos um apertado e emocionante abraço. Assim como fiz em outras oportunidades, mais uma vez nesse dia agradeci a Mírian pela influencia dela sobre o jornalista em que me transformei. Ainda na faculdade consegui um emprego no jornal Cruzeiro do Sul, em 1987. Desde 1972 Mírian estava no jornal e ajudou a criar a alma de qualquer veículo de comunicação, o seu arquivo. Não se faz jornalismo sem arquivo. O Google é o grande arquivo do mundo hoje em dia, mas um jornalista sem seu arquivo próprio, sem anotações pessoais e sem uma cultura de saber o que guardar é um profissional capenga. O jornalismo é um processo de estabelecimento de relações de dados, fatos e momentos. Dona Mírian, que tinha a aparência de ser alguém de poucos amigos, após essa casquinha fininha se revelava um doce de mulher sempre com uma palavra de incentivo, perseverança e certeza de que no fim tudo dá certo. Numa época em que a pesquisa on line como hoje era algo impensável, eu pressionava Mírian a achar o que eu precisava. Via o esforço dela. Quando não havia mais tempo (o famoso deadline de uma edição) ela suspirava e num tom definitivo dizia: o que tem tá ai. Virou o bordão dela. Um bordão que adotei para minha vida. O que tem está ai. Descanse em paz Mírian. Você vive na minha memória e na de muita gente como pude ver em variadas manifestações nas redes sociais. Mírian, mulher discreta e de forte influencia silenciosa no caráter de gerações de jornalistas.

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