Na despedida do prefeito de Sorocaba do cargo, após confirmar presença, o governador dá o cano e não aparece em solenidade. Prefeito eleito diz que festa é oca e vazia

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E o que parecia uma certeza, a presença do governador Geraldo Alckmin nas duas últimas inaugurações do prefeito Pannunzio no exercício do cargo, não aconteceu. Apesar de confirmar presença, inclusive publicada em sua agenda, Alckmin preferiu participar do almoço de Natal do restaurante Bom Prato do bairro da Lapa em São Paulo ao invés de vir a Sorocaba na entrega da Vila Dignidade (Conjunto Residencial para a Terceira Idade) e do Conjunto Habitacional Carandá.

Por que era uma certeza a presença de Alckmin? Primeiro por respeito ao prefeito Pannunzio, tucano de tradição, líder e vice-líder do PSDB na Câmara dos Deputados em Brasília, ex-presidente do diretório estadual da legenda, que deixa o cargo na semana que vem. Segundo porque 40 dias atrás, no dia 16 de novembro, Alckmin também havia dado cano na solenidade de entrega das obras de duplicação e melhorias da rodovia João Leme dos Santos (SP-264), que liga Sorocaba e Salto de Pirapora. O constrangimento da sua ausência foi tão grande naquela data que ninguém imaginava que ele pudesse fazer isso novamente e, ainda mais, na última oportunidade de estar ao lado de Pannunzio no palanque.

Oficialmente o prefeito Pannunzio não quis se pronunciar sobre o cano do governador. Nem em off ele ou algum de seus assessores falaram comigo.

A deputada estadual Maria Lúcia Amary, bastante próxima de Alckmin, já havia informado que por razões pessoais não estaria no evento de hoje e não tem a menor idéia do que aconteceu para a ausência de Alckmin.

O deputado federal Vitor Lippi amenizou a segunda falta de Alckmin em evento em Sorocaba e disse que “vê com naturalidade a ausência, uma vez que o evento foi reagendado pela terceira vez”. De qualquer maneira, ressalta Lippi, “o governador está promovendo grandes investimentos na cidade e foi reconhecido como uma liderança que está superando esse momento de crise e apesar das dificuldades, segue entregando obras estratégicas para todo o povo paulista”.

Minha percepção é bastante diferente dessa de Lippi. Entendo que no contexto atual da política regional, ficou evidente que as decisões tomadas pelos tucanos locais que levaram à derrota na eleição e perda do comando da prefeitura de Sorocaba depois de comandá-la por 20 anos, ainda não foram engolidas pelo comando estadual da legenda. Em particular por Alckmin que alertou Lippi, em especial, que sua decisão de não concorrer a prefeito iria ter como conseqüência certa a derrota quando sua presença dava chance da vitória.

A decisão do governador de gravar mensagem ao então candidato Crespo (adversário local dos tucanos) durante a campanha foi duramente criticada por João Leandro da Costa Filho, presidente do diretório municipal do PSDB, e pessoa muito ligada a Pannunzio.

O fato é que o mal-estar entre Alckmin e Pannunzio (claramente ligado ao ministro José Serra) não pode ser negado.

A pergunta é: por que Alckmin quis evidenciar esse mal-estar com Pannunzio e os tucanos locais?

Explicação pode ser para se preservar

A ausência de Alckmin na inauguração do Conjunto Carandá pode ser mais de autopreservação do que qualquer outra coisa.

O prefeito eleito, José Crespo, afirmou na coluna O Deda Questão no Jornal da Ipanema (FM 91,1Mhz) na quinta-feira, que iria a inauguração do Carandá porque foi convidado por Alckmin e iria cumprir a liturgia do cargo, mas considerava oca e vazia a inauguração de um conjunto de moradia onde a chave da casa não seria entregue ao contemplado.

Alckmin teria ficado sabendo na manhã de hoje, momentos antes de vir a Sorocaba, que não haveria a entrega formal das chaves, mas apenas simbólica. E sabendo do quanto isso poderia vir a ser usado contra ele, cuja a pretensão de ser candidato a presidente é mais do que sabida. Ele não quis dar munição a adversário.

Mas, vai saber a razão. Só Alckmin pode dizer por que não veio. Nem que seja ao prefeito Pannunzio. Mas que Pannunzio, ainda mais no momento do tchau, não merecia esse comportamento de Alckmin, ah, não merecia!

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