Ninguém está nem aí para o vírus

Pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, usaram uma base de dados do Facebook para compilar informações dos brasileiros relacionadas ao seu comportamento social, ou seja, se estão ficando isolados; se mantém rotinas de ir a locais de aglomeração, como supermercados; se vão a eventos públicos; se se deslocam de seu local de moradia para outras localidades…

A conclusão é: o Brasil viverá uma nova onda de mortes por covid-19. E ela será muito mais grave do que a última, que já foi brutal.

O vírus não tem ideologia e os milhões de brasileiros insatisfeitos com o governo do Jair, e que lotaram as ruas das principais cidades do país em todos os Estados, em que pese a mídia tradicional ter ignorado (TV Globo, jornais O Estado de S.Paulo, por exemplo, como haviam feito em 1984 ao ignorarem as manifestações pelas Diretas Já), é apenas o maior exemplo de como nós estamos nos comportando.

Os exemplos locais de aglomeração também existem. Meu amigo Sérgio Coelho de Oliveira não aguentou mais esperar e fez o lançamento presencial do seu novo livro. Ganhador do Prêmio por Histórico de Realização em Literatura do Proac LAB 2020, seu livro “No rastro das tropas” apresenta registros de vestígios culturais e históricos remanescentes do tropeirismo no trecho paulista Itararé a Sorocaba.

Eu sei que todos tiveram cuidado com os protocolos de segurança. E parece que o vírus “também”. Suas novas cepas são muito mais contagiantes. A verdade é que o vírus mata o ser humano biológico, aquele sem ideologia.

A Copa América de futebol, rejeitada na Colômbia e Argentina, ao invés de ser cancelada, ganhou o Brasil como sede. Mesmo sem torcida presencial, este evento, como todos os outros campeonatos, são parte importante da maior indústria mundial, a do entretenimento. E são milhares de vidas envolvidas para se colocar no ar todos esses jogos que vemos, sim todos, basta o usar o Pay-Per-View.

O brasileiro deveria se orgulhar de ser idiota, aquele que fica em casa, como classificou o Jair. Mas o que a pesquisa mostra é a tentação de sair. Mesmo com a vacinação em ritmo lento. Mesmo com essas cepas com nomes de países chegando entre nós. Mesmo com pessoas morrendo por falta de vagas em UTIs. Mesmo com UTIs com sua capacidade total perto dos 100% de ocupação. Mesmo com amigos e familiares sendo ceifados. Mesmo com mais de 460 mil brasileiros já mortos.

Tomará que os pesquisadores estejam errados e ninguém mais morra.

Tomará que o chamado “Centrão”, grupo de parlamentares pragmáticos e de pouca ideologia, estejam errados ao prognosticar que Jair será reeleito em 22 se der, ainda neste semestre, ajuda de R$ 400,00 a cada brasileiro, o que garante mais de R$ 2 mil por família em média.

Só um governo comprometido com a vida, e este não é o caso do atual, poderá frear o que os pesquisadores apontam como óbvio.

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