O mágico e o bufão

A Câmara de Vereadores de Sorocaba aprovou nesta semana, sem alarde, sem barulho, sem reclamação, sem protesto, sem sindicato dos servidores, ou seja, em absoluto silêncio, dois polêmicos projetos do prefeito Rodrigo Manga: um que come 14% do salário dos servidores públicos municipais, aumentando a contribuição de cada servidor para o fundo de pensão da categoria; e outro que dá aumento abaixo da inflação, de 4%, aos mesmos servidores a título de reposição salarial.

Como Manga conseguiu tal façanha?

Primeiramente, vamos lembrar que em julho de 2020, a mesma Câmara Municipal de Sorocaba rejeitou o mesmo projeto de lei, só que naquela altura o projeto era de Jaqueline Coutinho, a prefeita de então. Como este agora aprovado, aquele projeto taambé, previa um aumento na cobrança das alíquotas previdenciárias dos servidores públicos da ativa, aposentados e pensionistas em 14%, sobre a base de contribuição, mantidas as demais regras, em atendimento à Emenda Constitucional n° 103, de 12 de novembro de 2019, que estabeleceu a reforma da previdência. Exatamente como agora. Naquele momento, os representantes do povo rejeitaram, agora acataram.

Mais ainda fica a pergunta: Como Manga conseguiu tal façanha?

O mérito do prefeito está no que escrevi neste blog no dia 10 de fevereiro passado, quando disse que ele era um aprendiz de feiticeiro e sabia, como poucos, a usar da mágica, sim, do ilusionismo, tão famoso no circo, para alcançar seu objetivo.

Na primeira tentativa de “cumprir a lei” e comer 14% do salário do servidor, Manga não teve sucesso, ele próprio retirou o projeto da votação. Então, ele esperou o melhor momento, aquele em que o público (o cidadão e seus representantes) está cansado, desatento, e criou uma cortina de fumaça, ou seja, fez um barulhão, um som fora do contexto de modo que todos ser perguntassem do que se tratava e, quando descobriram, fizeram ainda mais barulho. Neste caso, o chamariz, a cortina de fumaça, foi o tal projeto para a volta dos rodeios em Sorocaba. Nas duas últimas semanas, todos sorocabanos que acompanham de um modo mesmo que superficial o trabalho do prefeito e vereadores falou sobre a volta do rodeio. Ninguém tinha olhos ou ouvidos para o aumento do salário dos servidores e o mágico conseguiu com folga, tranquilidade e apoio o que a prefeita anterior não havia conseguido e o que nem mesmo ele havia alcançado na primeira tentativa.

Em meio a isso tudo, um vereador que ainda não se encontrou na função, Salatiel Hergezel, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais. Apenas como sindicalista, sem mandato de vereador, ele tinha estratégia e artilharia, como vereador é apenas mais um sem a confiança do prefeito e sem a confiança da oposição. Salatiel se tornou um bufão, aquele que fazia o rei e a rainha rirem. Isso ficou claro nesta nova magia de Manga ao tirar 14% do salário do trabalhador e lhe dar 4%. O discurso de Salatiel, na segunda-feira, na sessão que decidiu pelo aumento, foi inócuo, um chororô ineficiente: “Mais da metade dos servidores de Sorocaba recebem na faixa de R$ 2 mil. Temos casos de super salários? Temos, mas não chega a 50 e são legais, pois legislações anteriores possibilitavam. A realidade dos servidores da prefeitura e do Saae é bem diferente”.

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